Avaliação auditiva infantil: os diferentes exames de diagnóstico

A avaliação auditiva infantil permite estabelecer um diagnóstico quanto à capacidade auditiva da criança e deve ser feito o mais precocemente possível, facilitando, assim, o processo de re(h)abilitação.

Todas as crianças após o nascimento deveriam ser submetidas ao Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU). Se existirem dúvidas, ou claros indicadores de risco, deve existir uma monitorização adequada e uma avaliação mais aprofundada. Toda a criança diagnosticada como tendo alguma deficiência auditiva, (unilateral ou bilateral) deve ser encaminhada para uma consulta de intervenção precoce, para colocação de próteses auditivas. Ao fim de seis meses de utilização das próteses, pode haver necessidade de orientação para implante coclear.

Bebés com atresia auditiva congénita, num ou em ambos os ouvidos, ou com deformidade visível do pavilhão auricular e/ou canal auditivo externo, devem ser encaminhados para avaliação audiológica diagnóstica.

A avaliação auditiva infantil comporta testes comportamentais (subjetivos) que necessitam da participação e interação das crianças, e testes objetivos que não necessitam da sua participação ativa.

Relativamente aos testes subjetivos podemos considerar, de acordo com a idade da criança: audiometria de observação comportamental (entre o nascimento e os seis meses); audiometria de reforço visual (a partir do 5º mês até aos dois anos) audiometria lúdica condicionada (entre os dois-três e seis anos) e audiometria tonal e vocal convencional (a partir dos cinco anos).

Os testes objetivos não são dependentes da resposta da criança. Apenas se exige que esteja bem tranquila, o que pode ser obtido por meio de sono natural, sedação ou de distração. No contexto infantil, dentro dos testes objetivos, temos os testes fisiológicos (Impedanciometria e Otoemissões acústicas) e os eletrofisiológicos (Potenciais evocados auditivos precoces do tronco cerebral e potenciais auditivos de estado estável).

Os aspetos chave da avaliação audiológica para crianças são:

  • A avaliação comportamental estabelece métodos com base em respostas condicionadas ao som, permitindo uma estimativa dos limiares auditivos da criança.
  • A Impedanciometria agrega o timpanograma (medida da mobilidade da membrana timpânica) com a pesquisa dos reflexos acústicos estapédicos (inserindo uma sonda no canal auditivo externo, que emite umestímulo sonoro de forte intensidade, é possível medir a contração muscular do músculo do estribo, um dos três ossículos do ouvido médio e o mais pequeno do corpo humano).Estes testes embora não determinem o tipo ou grau de surdez, permitem detetar mudanças na pressão do ouvido médio, informação esta muito útil para complementar a avaliação audiológica.
  • As Otoemissões acústicas fornecem informações sobre a integridade das células ciliadas externas da cóclea.
  • Os Potenciais evocados auditivos precoces do tronco cerebralfazem a avaliação da atividade eletrofisiológica do ouvido, desde que o som é captado no canal auditivo externo até ao tronco cerebral. No entanto, o estimulo mais utilizado nestes potenciais é o click, por ser considerado como o mais eficaz para evocar uma melhorsincronia neural, avaliando apenas uma gama frequencial à volta dos 3kHz. Assim sendo, não fornece informações sobre a configuração da curva audiométrica.
  • Os Potenciais Auditivos de Estado Estável utiliza estímulos específicos, possibilitando a avaliação de quatro frequências (500Hz, 1kHz, 2kHz e 4kHz) complementando, assim, a informação obtida pelos Potenciais anteriores.
Referências: American Academy of Audiology. Assessment of Hearing in Infants and Young Children. Reston, 2012. https://tinyurl.com/y3tbm2yy.; Créditos da imagem:http://www.aparelhoauditivo.com/exame-bera/

Fernanda Gentil

Fernanda Gentil é Audiologista na Clínica ORL Dr. Eurico Almeida e Coordenadora da Widex Centros Auditivos – Porto. Licenciada em matemática aplicada – ramo de ciência de computadores, pela FCUP. Professora Adjunta do curso de Audiologia, na ESS do Porto. PhD em Ciências de Engenharia pel (...)