Alimentação saudável na infância: lançar sementes para o futuro

Na infância, uma alimentação saudável, equilibrada e rica em todos os nutrientes essenciais é fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças. É nesta altura que são lançadas as sementes para uma vida adulta saudável e livre de doenças.

Sim, a alimentação, em conjunto com outros hábitos e estilos de vida como a prática de atividade física e redução dos tempos sedentários, tem todo este impacto. Por este motivo é essencial saber que alimentos devem fazer parte das refeições do dia-a-dia e quais deverão ser evitados ou apenas consumidos pontualmente.

Entre o nascimento e os 6 meses de vida, o leite materno deverá ser o alimento de eleição, já que assegura todas as necessidades nutricionais para esta fase. A Organização Mundial de Saúde recomenda a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses de vida, com inicio ideal 1h após o nascimento e estendendo-se até aos 2 anos, sendo diversos os seus benefícios.

Com a desaceleração do crescimento que acontece a partir dos 5/6 meses, verifica-se também uma redução nas necessidades de energia e gorduras e um aumento das necessidades de hidratos de carbono. Nesta altura o aleitamento materno exclusivo não é suficiente para suprimir todas as necessidades nutricionais. Com o aumento do volume gástrico e alteração das enzimas digestivas, começam também a ser aceites mais e mais variados alimentos e em maior quantidade. A adição de açúcar e de sal está contraindicada até aos 12 meses.

É nesta altura que se inicia a diversificação alimentar, com a introdução progressiva de diversos alimentos. É com a diversificação alimentar que se inicia o desenvolvimento do paladar e das preferências alimentares, com a exposição a diversos sabores e texturas. Devem ser preferidos alimentos que fazem parte da Roda dos Alimentos portuguesa e limitado o acesso a alimentos industrialmente processados.

O rápido crescimento que se verifica durante o primeiro ano de vida, diminui entre o 2º e o 3º anos. No 2º ano de vida é frequente verificar-se uma redução no apetite e na ingestão alimentar, a chamada “anorexia fisiológica”. É importante que nesta fase sejam colocados à disposição da criança, alimentos variados de qualidade, sendo a quantidade adaptada ao apetite da criança.

A ingestão de açúcares livres, tais como os adicionados a alimentos e bebidas, assim como o mel, xaropes, sumos e concentrados de fruta, deve ser limitada. O consumo excessivo de açúcares livres contribui para o excesso de peso e obesidade, tendo estes impactos relevantes na saúde a longo prazo.

As gorduras trans, frequentemente utilizadas em alimentos industrializados, deverão também ser limitadas. Por outro lado deverão ser incluídas fontes de ácidos gordos ómega 3, tais como peixes gordos, que deverão ser consumidos duas vezes por semana.

A prática de atividade física de intensidade moderada num mínimo de 60 minutos diários, limitar o tempo em frente a um ecrã (televisão, computador ou jogos), a um máximo de 1 a 2 horas/dia e o incentivo ao consumo de água são também hábitos a ter em conta para que as melhores sementes sejam lançadas, tendo em vista futuro saudável.

Referências: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos – Linhas De Orientação Para Profissionais E Educadores. Direção-Geral da Saúde, 2019.; who.int/features/factfiles/breastfeeding/en/, acesso em [5/10/2019].; Crédito das imagens: free stock photos from www.picjumbo.com por Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas 3684N, pós- graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direc (...)