Exercício físico no cancro do pâncreas: impedir a atrofia muscular

exercício físico deve ser uma prática-padrão para apoiar o tratamento médico durante o cancro. As evidências emergentes sugerem que o exercício tem um efeito protetor contra a mortalidade, além de ser uma abordagem viável e eficiente para contrariar certos efeitos adversos durante os tratamentos. As orientações internacionais recomendam que os doentes oncológicos devem evitar a inatividade, mesmo quando submetidos a tratamentos difíceis.

O cancro do pâncreas tem um impacto profundo na qualidade de vida dos doentes, manifestando-se por perda de peso significativa, fadiga relacionada com a doença, náuseas e sofrimento psicológico. Por isso, todas as terapêuticas que aumentem a capacidade de tolerar os tratamentos adjuvantes, reduzam a perda das funções físicas e melhorem a qualidade de vida são extremamente importantes.

Existe alguma evidência através de estudos de caso que indicam benefícios do exercício físico no cancro do pâncreas.  Um desses estudos, publicado na conceituada revista “Medicine & Science in Sports & Exercise” apresentou um caso único de um homem de 49 anos com cancro do pâncreas estádio IIb.

O indivíduo foi submetido a cirurgia (ressecção de Whipple) e esteve com quimioterapia adjuvante (gemcitabina e fluorouracil) e radioterapia (45 Gy). Três meses após a cirurgia foi submetido a um programa de exercícios supervisionado durante a quimioterapia e ao longo de 6 meses.

O programa combinava exercícios estruturados de alta intensidade, aeróbicos e de resistência, em sessões quinzenais. Observaram-se melhorias em relação à capacidade física e funcional, na qualidade de vida e na fadiga relacionada com a doença, qualidade do sono, nos sintomas de depressão e ansiedade e impediu a atrofia muscular.

Um segundo estudo caso, publicado na revista “Pancreatic Disorders & Therapy” mostrou que o exercício combinado de alta intensidade, após a cirurgia e a receber terapia adjuvante, foi viável e bem tolerado, resultando na manutenção do peso corporal e na melhoria da força e capacidade aeróbica. Um homem com 46 anos, diagnosticado com cancro do pâncreas estádio IV, recebeu quimioterapia paliativa por dois meses, quimioterapia neoadjuvante por três meses (folifirinox), cirurgia e quimioterapia adjuvante (gemcitabina) por mais dois meses. Durante todo o tratamento médico, o indivíduo realizou um programa de exercícios de resistência de alta intensidade duas vezes por semana durante 7 meses.

Pelo que indicam estes casos, as melhorias fisiológicas induzidas pelo exercício físico no cancro do pâncreas parecem ajudar na tolerância ao tratamento e mitigar a toxicidade.

Referências: Cormie, P., Spry, N., Jasas, K., Johansson, M., Yusoff, I. F., Newton, R. U., & Galvão, D. A. (2014). Exercise as medicine in the management of pancreatic cancer: a case study. Medicine and science in sports and exercise46(4), 664-670.; Niels, T., Tomanek, A., Schneider, L., Hasan, I., Hallek, M., & Baumann, F. T. (2018). Exercise improves patient outcomes in advanced pancreatic cancer patient during medical treatment. Pancreat Disord Ther8(193), 2.; Imagem de Sasin Tipchai por Pixabay