Bebidas açúcaradas e obesidade, há relação?

As bebidas açúcaradas, a par com a ingestão de alimentos com elevada densidade energética, contribuem para o excesso de peso e obesidade. A ausência de mastigação, o rápido esvaziamento gástrico, assim como a reduzida perceção do sabor doce em bebidas frescas, entre outros fatores, contribuem para a reduzida sensação de saciedade em proporção à sua densidade calórica. Por outro lado, estas bebidas são habitualmente consumidas independentemente da presença de fome, induzindo desta forma a ingestão energética excessiva.

Alguns exemplos de bebidas açúcaradas são: refrigerantes, bebidas desportivas, sumos de fruta com adição de açúcar, águas aromatizadas com adição de açúcar, entre outros.

O 1º Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF 2015) mostrou que a prevalência da obesidade em Portugal se mantem elevada, em todas as faixas etárias. Este inquérito revelou ainda que os refrigerantes são a segunda bebida mais consumida a seguir à água, sendo os adolescentes quem escolhe estas bebidas com maior frequência. Os refrigerantes ou néctares são ingeridos uma ou mais vezes ao dia (≥220 g/dia) por 18% dos portugueses.

No contexto de uma alimentação equilibrada e saudável, a ingestão de bebidas com elevada densidade calórica e baixa densidade de nutrientes deve ser reduzida. As bebidas açúcaradas deverão assim ser substituídas por bebidas com baixa densidade energética, preferencialmente água, já que esta é a estratégia que trará melhores resultados no combate à obesidade.

Além da água, há mais alternativas aos refrigerantes: águas aromatizadas caseiras, chá, leite. Todas as opções referidas não deverão ter adição de açúcar.

É conhecida a associação entre a obesidade e o desenvolvimento de diversas doenças crónicas não transmissíveis, entre as quais se incluem alguns tipos de cancro, nomeadamente cancro do ovário, boca, laringe, faringe, esófago (adenocarcinoma), rim, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, colorretal, mama (pós-menopausa), endométrio e próstata (avançado).

Tendo em vista a prevenção dos efeitos adversos para a saúde a médio e longo prazo, as alterações de hábitos alimentares deverão ser iniciadas precocemente durante a infância.

Referências: Gaio V, et al.Prevalência de excesso de peso e de obesidade em Portugal: resultados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF 2015).Boletim Epidemiológico, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research. Continuous Update Project Expert Report 2018. Body fatness and weight gain and the risk of cancer. von Philipsborn P, et al. Environmental interventions to reduce the consumption of sugar-sweetened beverages and their effects on health.Cochrane Database of Systematic Reviews 2019, Issue 6. Art. No.: CD012292. Crédito das imagens: rawpixel e Christine Sponchia por Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas 3684N, pós- graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direc (...)