Dieta vegetariana na adolescência: há vantagens?

Bons hábitos alimentares adotados durante a adolescência trazem benefícios para a saúde a longo prazo. E  estão associados a um menor ganho de peso e menor risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares na idade adulta. Poderá a dieta vegetariana trazer vantagens?

O consumo elevado de alimentos de origem vegetal está associado à prevenção de diversas doenças crónicas. Quando são estudados os benefícios da dieta vegetariana na prevenção destas patologias estes são associados à elevada ingestão de cereais integrais, fruta e vegetais, que se traduz numa elevada ingestão de fibra, vitaminas, minerais, compostos fitoquímicos e antioxidantes.

Um estudo recente, publicado na revista Frontiers in Nutrition, teve como objetivo contribuir para o conhecimento do perfil dos alimentos ingeridos por adolescentes vegetarianos, entre os 12 e os 18 anos, por se tratar de uma população menos estudada, em relação aos adultos vegetarianos.

Neste estudo, verificou-se que a dieta vegetariana foi mais adotada por raparigas (65,7%) e, sem surpresa, que a ingestão de vegetais (80% vs 68%), fruta (72% vs 62%) e oleaginosas/derivados da soja (98% vs 70%) foi maior no grupo de vegetarianos. Apesar da ingestão de bebidas açúcaradas se manter abaixo de 1 porção/dia em ambos os grupos estudados (o vegetariano e o não-vegetariano), a ingestão destas bebidas foi menor no grupo de adolescentes dieta vegetariana na adolescência,vegetarianos.

Quando avaliados os nutrientes ingeridos, ambos os grupos mostraram resultados semelhantes relativamente à ingestão de proteina, açúcares adicionados, vitamina B12, riboflavina e vitamina D. A ingestão de zinco foi mais elevada no grupo não-vegetariano, com 76,8% vs 64,2% a atingir a dose diária recomendada (DDR), o mesmo tendo sido verificado relativamente à ingestão de gordura saturada e alimentos de origem animal. Ambos os grupos excederam de forma significativa a DDR para a ingestão de sódio e a ingestão de fibra manteve-se abaixo da DDR em ambos os grupos, com apenas 36,3% da população não-vegetariana vs 53,3% da população vegetariana a atingir a quantidade recomendada.

Os autores assinalam que o estudo não permite tirar conclusões relativamente ao impacto a longo prazo de cada uma das dietas adotadas. É importante referir que o estudo foi feito numa população de adolescentes americanos e que os hábitos alimentares nos Estados Unidos diferem dos hábitos alimentares europeus.

Referências: Segovia-Siapco G, et al. Beyond Meat: A Comparison of the Dietary Intakes of Vegetarian and Non-vegetarian Adolescents.Front Nutr. 2019 Jun 13;6:86. Crédito das imagens: Free-Photos e de engin akyurtpor Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas 3684N, pós- graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direc (...)