Sarcopenia e a importância de preservar a massa muscular

A sarcopenia carateriza-se pela baixa percentagem de massa magra, em especial de baixa massa muscular, com ou sem aumento da massa gorda. A sarcopenia pode surgir como parte do normal processo de envelhecimento ou como consequência da inatividade física ou de uma doença crónica.

Quando se verifica uma redução da massa muscular, seja devido a um processo de envelhecimento ou de uma doença, identifica-se também uma redução da força, um aumento do cansaço e numa fase mais extrema ou avançada, uma redução da capacidade funcional do indivíduo, que poderá pôr em causa a capacidade de realização de tarefas de forma autónoma e a sua qualidade de vida.

Em doentes com cancro especificamente, este síndrome tem uma prevalência elevada e surge como consequência das alterações metabólicas provocadas pela doença, aumento do gasto energético e pela redução no apetite. Nesta população, para além das alterações já mencionadas, a sarcopenia tem ainda influência na tolerância aos tratamentos, na sua toxicidade e na sobrevivência.

Por todas estas consequências, intervenções nutricionais e de atividade física que tenham em vista a preservação da massa muscular são essenciais.

Sarcopenia: intervenções nutricionais

As intervenções nutricionais têm como objetivo assegurar que a ingestão alimentar está adequada às necessidades nutricionais individuais, muitas vezes alteradas pela doença e que podem variar no decorrer dos tratamentos. Os tratamentos têm frequentemente efeitos secundários associados, com impacto tanto na ingestão alimentar como na absorção dos nutrientes e nesse sentido é necessário adequar as refeições para otimizar a ingestão alimentar.

Sarcopenia e a atividade física

sarcopenia,

As recomendações para a prática de atividade física incluem um mínimo de dois dias de treino de força por semana. É importante ter esta recomendação em consideração, já que parece ser o treino de força o que tem maior impacto na preservação da massa muscular. A prática de atividade física durante os tratamentos, deve ser adequada à capacidade física individual que pode estar alterada neste período, mas tem benefícios e sempre que seja possível deve ser incluída na rotina do paciente.

 

Referências:Pamoukdjian F, et al. Prevalence and predictive value of pre-therapeutic sarcopenia in cancer patients: A systematic review.Clin Nutr. 2018 Aug;37(4):1101-1113. Arends J, et al. ESPEN expert group recommendations for action against cancer-related malnutrition. Clin Nutr. 2017 Oct;36(5):1187-1196.Vega MC, Laviano A, Pimentel GD. Sarcopenia and chemotherapy-mediated toxicity. Einstein (Sao Paulo). 2016 Oct-Dec;14(4):580-584.World Health Organization. Global recommendations on physical activity for health. 2010. Crédito das imagens: Ichigo121212 e de rawpixel Pixabay

Inês Correia

Inês Almada Correia, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas 3684N, pós- graduada em Nutrição em Oncologia pela Universidade Católica Portuguesa. Tem colaborado com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) em atividades, tais como workshops sobre alimentação direc (...)