A prática do yoga em doentes com cancro da próstata

O cancro da próstata é o cancro masculino de maior incidência. Atualmente, existem alguns estudos sobre os benefícios da prática do yoga em doentes com cancro de próstata.

Os benefícios do yoga são bem conhecidos ao nível físico, mental e psicológico. Um dos efeitos de praticar yoga é o desenvolvimento da capacidade de aceitação. Aceitar o que se é, aceitar o que surge na vida. Quando se encara os desafios da vida com resiliência, percebe-se que há uma pré-disposição para encarar as adversidades como mais um passo que tem de ser dado, de forma firme e confiante. Portanto, o yoga permite o encontro com aquilo que somos, a aceitação daquilo que surge.

A prática de asanas, as posturas do yoga, concede-nos maior consciencialização do corpo, mas sobretudo facilita uma aprendizagem de como se pode ultrapassar as limitações físicas, contribuindo para a autoestima e a autoaceitação. A prática de pranayama (técnicas de respiração) para além de incrementar a capacidade respiratória, transmite calma, bem-estar e uma atitude mais tranquila da mente. O relaxamento possibilita relaxar corpo e mente, trazendo benefícios na gestão da dor física e emocional. Por último a meditação, permite não só incrementar a capacidade de aceitação, mas também saber controlar sentimentos de angústia, negação, medo, entre outros, contribuindo para encarar o momento com maior assertividade.

Dos estudos existentes sobre a prática do yoga em doentes com cancro de próstata, os resultados mostram uma significativa redução da fadiga emocional e física, menos efeitos colaterais ao nível sexual e melhor funcionamento urinário, comparativamente com homens com o mesmo processo de evolução da doença, mas sem praticar yoga.

Neha Vapiwala, professora associada de radiologia oncológica na Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, em Filadélfia, juntamente com os seus colegas, realizaram um estudo com as seguintes características:

Recrutaram 50 homens com cancro de próstata não metastizado precoce ou avançado, com idades entre 53 e 85 anos. Desse grupo de pessoas, 22 foram selecionados para o grupo de yoga e os restantes não. Durante o estudo, todos os homens receberam tratamentos de radioterapia, 29 receberam terapia hormonal e 19 foram intervencionados cirurgicamente.

As sessões de yoga duraram 75 minutos e incluíam posições sentadas, de pé e de flexão anterior e posterior, de acordo com a capacidade e habilidade de cada praticante. Antes, durante e após o estudo, ao longo de nove semanas, os dois grupos responderam a avaliações sobre fadiga, saúde sexual (incluindo, mas não se limitando ao funcionamento erétil) e sintomas urinários.

No seu estudo, a Drª. Vapiwala sugere que o yoga melhora a função erétil e urinária, fortalecendo os músculos centrais e melhorando o fluxo sanguíneo. E salienta que independentemente da forma física é importante manter uma mente aberta.

Para uma prática com benefícios no cancro da próstata, a minha recomendação é que procure um professor devidamente certificado em yoga e cancro. Uma vez que não se trata apenas de praticar posturas de yoga, é necessário saber quais as posturas benéficas e a sequência exata para que o doente possa obter os melhores resultados.

Referências:Ben-Josef, A. M., Chen, J., Wileyto, P., Doucette, A., Bekelman, J., Christodouleas, J., … & Vapiwala, N. (2017). Effect of eischens yoga during radiation therapy on prostate cancer patient symptoms and quality of life: A randomized phase II trial. International Journal of Radiation Oncology* Biology* Physics98(5), 1036-1044.; https://www.health.harvard.edu/blog/yoga-improves-treatment-related-symptoms-men-prostate-cancer-2017080411975; Créditos da imagem: https://www.standard.co.uk/fashion/male-yoga-clothing-brands-to-know-a3974646.html

Alexandra Pereira

Alexandra Pereira é professora de yoga certificada pela Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda (AIPYS), Espanha 2000. Licenciada em Filosofia (FLUP 1988) tem o Curso de osteopatia do Instituo Biomédico Hygea de Espanha (2005). Exerce a sua atividade profissional como professora (...)