Dieta mole e dieta pastosa: como enriquecer nutricionalmente?

O cancro e os tratamentos oncológicos podem causar sintomas que exigem uma adaptação da consistência da alimentação. Assim, alguns doentes não toleram uma dieta sólida, sendo necessária a adoção de uma mole ou até mesmo pastosa.

Por vezes, os doentes nestas condições ou os seus cuidadores sentem que é difícil incluir todas as calorias e proteínas necessárias, receando que o estado nutricional e, consequentemente, a tolerância e a resposta aos tratamentos, a qualidade de vida e o prognóstico sejam prejudicados. Contudo, é possível aumentar o teor calórico e proteico, usando algumas estratégias.

Dieta mole: estratégias para enriquecimento nutricional

Uma das sugestões é usar leite gordo, em substituição de leite meio gordo ou magro, e acrescentar leite em pó. Esta mistura (leite fortificado) pode ser consumida como bebida ou utilizada para a confeção de pratos. O café ou o chocolate quente pode também ser preparado com leite gordo ou natas. Embeber bolachas, deixando-as numa consistência que permita a sua ingestão, é uma sugestão.

As papas e os batidos são possibilidades que podem ser bastante nutritivas. Estas podem ser preparadas com leite gordo ou fortificado, acrescidas de natas, fruta e açúcar ou mel.

Aos purés de vegetais preparados com leite pode-se acrescentar queijo ralado e/ou ovo. Ainda sobre vegetais, a preparação de sopas pode ser feita com uma parte de leite e, na altura de servir, colocar queijo ralado por cima pode ser uma opção agradável e, certamente, mais nutritiva. Para enriquecer as sopas, sugere-se, ainda, a adição de carne moída, de leguminosas e de massas (se tolerado). Outra sugestão para consumo de vegetais é mergulhar os moles e já cozidos em cremes, como húmus.

Como alternativa às omeletas simples, pode-se optar pela adição de queijo, enriquecendo a dieta.

De referir que os alimentos transformados separadamente na consistência mole ou pastosa tornam-se mais atrativos e agradáveis do que misturados todos juntos.

No entanto, todos os casos devem ser vistos e tratados de modo individual. Um doente pode ser capaz de ingerir certos alimentos que são difíceis para outro doente consumir, além das preferências individuais de cada um variarem. Assim, poderá ser necessária a intervenção de um nutricionista, para que se consigam atingir as necessidades nutricionais, não pondo em causa o estado nutricional do doente.

Referências:Cancer Research UK. Adding energy and protein to a soft diet. Disponível em https://www.cancerresearchuk.org. Acedido a 21/11/2018; Grupo de Assistência Multidisciplinar em Ostomias e Doença Inflamatória Intestinal. Dieta Pastosa. Disponível em http://www.gamedii.com.br. Acedido a 21/11/2018. Fontes de imagens: https://www.noticiasaominuto.com/lifestyle/956502/e-a-nivel-emocional-como-enfrentar-o-cancro; https://cervicalcancernews.com/2017/01/09/berries-enhance-cancer-patients-ability-taste-food/

Dina Raquel João

Dina Raquel João, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº0204N, mestre em  nutrição  clínica  pela  Universidade  do  Porto  e  doutoranda  da  Faculdade  de  Medicina  da Universidade de Lisboa. Iniciou a sua atividade profissional em 2001 e, atualmente, a (...)