Absoluta Simplicidade!

Actualmente, encontramos muitas pessoas insatisfeitas, temos excesso de coisas e de desejos. Não seria mais sensato livrarmo-nos das supostas “necessidades” e assim diminuir as preocupações? Não seria mais equilibrado estarmos em contacto com a Natureza e assim melhorar o nosso estado físico, mental e espiritual?

A absoluta simplicidade e o despojamento da vida que o Homem levava nos tempos primitivos tinham pelo menos a vantagem de deixá-lo ser parte da Natureza e livre. Quando sentia falta de alimento ou de sono, tinha a estrada novamente diante de si… Morava neste mundo vagueando por vales, planícies e cumes de montanhas. Os homens transformaram-se em instrumentos dos seus instrumentos. Aquele que na maior liberdade apanhava os frutos nas árvores quando sentia fome, tornou-se agricultor, fixando-se no terreno e aí construindo a sua própria casa.

Ao longo dos tempos, durante o nosso processo evolutivo fomos criando necessidades para o nosso conforto, mas também armadilhas… Muitos avanços tecnológicos tiveram um propósito benéfico, no entanto, por vezes, o progresso traz necessidades que dantes não existiam, sendo preciso distinguir o dispensável do essencial.

Assiste-se, hoje em dia, a uma nova escravatura, onde os “escravos” não têm consciência dessa condição e se encerram a eles mesmos em “gaiolas douradas”, tornando-os vítimas de uma inquietação permanente.

Créditos da imagem: Foto de Masao Yamamoto, 1999.

André Louro

Doutorado pela Universidade Autónoma de Barcelona. Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e com especialidade avançada em Psicologia Comunitária pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Vários artigos publicados na área de Psico-oncologia. Tem interesse pelo estudo do comportamento huma (...)