Sobreviventes de cancro: alimentação na redução do risco de recidiva

Estudos com sobreviventes de cancro mostram que aqueles que mantêm um peso adequado, seguem uma alimentação saudável e praticam atividade física de forma regular apresentam um melhor estado de saúde. Um estilo de vida assente nestes fatores parece ter um papel na prevenção ou redução do risco de recidiva, de cancrossobreviventes de cancro secundários e de outras doenças crónicas.

Sobreviventes de cancro e peso

Para a redução do risco de recidiva, a ciência têm mostrado que é fundamental que os sobreviventes de cancro atinjam e mantenham um peso saudável. Todavia, há que ter em conta a composição corporal. Assim, o objetivo deverá ser um peso adequado e um nível de massa gorda o mais baixo possível, sem que haja défice da mesma. Este estado nutricional parece criar um ambiente desfavorável ao crescimento do cancro, minimizando o risco de recidiva e de aparecimento de outros cancros.

Sobreviventes de cancro e alimentação rica em vegetais

A ciência tem mostrado que uma alimentação rica em vegetais promove a saúde e pode reduzir o risco de cancro em sobreviventes da doença. Deste modo, as recomendações indicam que, pelo menos, 2/3 do prato incluam vegetais, frutos, cereais integrais, legumes e frutos secos. O terço restante (ou menos) deverá ser ocupado com aves, peixe, carnes magras, laticínios magros e/ou leguminosas.

Note-se que não se trata de uma alimentação vegetariana mas sim rica em vegetais. Apesar de uma alimentação vegetariana poder ser uma alternativa mais saudável às dietas ocidentais em geral, não existe evidência de que tenham um papel mais protetor contra o cancro que uma alimentação rica em vegetais que contenha pequenas porções de carne magra e de laticínios.

Sobreviventes de cancro e carnes vermelhas/processadas

As recomendações indicam que o consumo de carnes vermelhas não deve ultrapassar os 500 g por semana. Para além disso, a ciência tem mostrado que evitar o consumo de carnes processadas (por exemplo: bacon, salsichas, presunto, etc.) diminui o risco de alguns tipos de cancro. Estas recomendações também contribuem para a melhoria do estado de saúde em geral, uma vez que previnem algumas doenças crónicas (por exemplo: doença cardíaca) para as quais os sobreviventes oncológicos têm maior risco.

Deste modo, sugere-se que se façam refeições sem carne, optando, por exemplo, por vegetais salteados, sopas de feijão ou outros.

Sobreviventes de cancro e bebidas alcoólicas

O consumo moderado de álcool não tem um papel protetor contra alguns cancros, estando associado ao aumento do risco da doença no cólon e no reto, na mama, no esófago, na boca e no fígado, pelo que o American Institute for Cancer Research recomenda que se evite o consumo de bebidas alcoólicas, mesmo em pequenas quantidades. Caso os sobreviventes oncológicos optem por consumir, é importante que limitem a ingestão a 1 copo (bebida padrão) por dia, no caso de mulheres, e 2 copos por dia, no caso dos homens.

Sobreviventes de cancro e ingestão de bebidas açucaradas e de alimentos calóricos

Estes produtos alimentares estão associados ao aumento de peso, ao excesso de peso e à obesidade e o excesso de massa gorda, por seu lado, é a causa de vários tipos de cancro. Assim, as bebidas açucaradas (por exemplo: refrigerantes) e os alimentos com elevada densidade calórica (por exemplo: snacks ricos em gordura e em calorias; fast food; produtos de pastelaria, sobremesas e doces) deverão ser evitados.

Sobreviventes de cancro e alimentos salgados ou processados com sal

O consumo excessivo de sal pode ser prejudicial para a saúde, pois está associado à hipertensão arterial e ao aumento do risco de cancro do estômago. Assim, o consumo de alimentos processados (enlatados e charcutaria, por exemplo), de fast food, de refeições pré-cozinhadas, de snacks salgados e de outros ricos em sal deverá ser limitado.

Sobreviventes de cancro e atividade física

Para redução do risco de recorrência, os sobreviventes deverão ser fisicamente ativos, pelo menos, 30 minutos por dia (todos os dias), sendo o objetivo os 60 minutos. Adicionalmente e para aumentar ainda mais a atividade física, é importante caminhar, evitando um estilo de vida sedentário.

Deste modo, para reduzir o risco de recidiva, a alimentação deverá ser equilibrada, variada e completa, sem necessidade de suplementos alimentares. Os alimentos ricos nutricionalmente contêm substâncias importantes para a saúde (fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos). Além disso, uma alimentação rica em vegetais é fonte de muitos compostos que parecem ter importância como adjuvantes no tratamento do cancro.

Referências: American Institute for Cancer Research. www.aicr.org (acesso a 29/8/2018). American Institute for Cancer Research, Livestrong Foundation, Savor Health. HEAL Well: A Cancer Nutrition Guide. 2013. Fontes de imagens: https://montanamovesandmeals.com/2013/03/12/happy-healthy-plates/; https://www.roswellpark.org/cancertalk/201804/how-reduce-your-risk-colorectal-cancer

Dina Raquel João

Dina Raquel João, nutricionista, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº0204N, mestre em  nutrição  clínica  pela  Universidade  do  Porto  e  doutoranda  da  Faculdade  de  Medicina  da Universidade de Lisboa. Iniciou a sua atividade profissional em 2001 e, atualmente, a (...)