Bebidas alcoólicas e o risco de cancro: doses moderadas e ocasionais

O consumo exagerado de bebidas alcoólicas é um dos fatores promotores do desenvolvimento de cancro. Em 2012, o álcool causou cerca de meio milhão de mortes por cancro em todo o mundo.

Além do tabaco, o álcool é outra substância identificada e ligada ao aumento do risco de cancro.

Beber bebidas alcoólicas em doses excessivas, de forma regular, aumenta o risco de desenvolver pelo menos sete tipos de cancro: cavidade oral (boca e faringe), laringe, esófago, fígado, cólon, reto e mama em mulheres.

Segundo evidência recente, para estes sete tipos de cancro, há uma relação dose-resposta: o risco de cancro aumenta com a exposição ao álcool, com a sua frequência e duração de consumo médio linear ou exponencial. E não parece haver qualquer relação com o tipo de bebida, isto é os efeitos cancerígenos e o risco verifica-se para todos os tipos de bebidas alcoólicas.

bebidas alcoólicas e risco de cancro, dose de segurança,O consumo diário superior a 50 g de álcool (cerca de 4 bebidas) triplica o risco para o cancro da cavidade oral, faringe e laringe, comparativamente com não consumir. O risco relativo para o cancro colorretal, fígado e mama é de aproximadamente 1,5 para ≥ 50 g /dia.

Os indivíduos que bebem muito (≥4 bebidas/dia ou 50 g/dia) e fumam muito, apresentam um risco muito elevado, pela interação bem reconhecida do efeito multiplicativo do tabaco e das bebidas alcoólicas, já estabelecidos no cancro da boca, faringe, laringe e esófago.

Devido ao efeito conjunto e multiplicativo do consumo destas duas substâncias, o risco de cancro da cavidade oral e do esófago pode ser largamente reduzido com a interrupção ou abstinência do consumo de álcool e tabaco. Para o cancro do esófago o risco diminui significativamente após 6 anos de abstinência.

Prevenir e reduzir o risco destes sete tipos de cancro passa então por moderar o consumo de álcool com doses reduzidas, ao que se acrescenta hábitos alimentares saudáveis, a prática de uma atividade física regular, abstenção do tabaco, exames médicos regulares e exposição mínima a poluentes do ar, da água e dos alimentos.

Referências: Connor, J. (2017). Alcohol consumption as a cause of cancer. Addiction112(2), 222-228.; Scoccianti, C., Straif, K., & Romieu, I. (2013). Recent evidence on alcohol and cancer epidemiology. Future oncology9(9), 1315-1322. Creditos das imagens: https://www.npr.org/sections/thesalt/2014/11/20/365500037/moderate-drinker-or-alcoholic-many-americans-fall-in-between;https://www.canada.ca/en/public-health/services/publications/chief-public-health-officer-reports-state-public-health-canada/2015-alcohol-consumption-canada.html

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)