Renovação de células novas do cérebro: o yoga pode ajudar?

O yoga pode ajudar na renovação de células novas do cérebro?

Durante mais de uma década, várias pesquisas mostraram que o cérebro é capaz de realizar sempre novas conexões ou neuroplasticidade.

E na terceira idade também haverá essa possibilidade, de produzir novas células ou novos neurónios?

Um estudo publicado na revista científica Cell Stem Cell divulgou que os cérebros envelhecidos tem capacidade para gerar novas células, sugerindo mesmo que pessoas idosas podem manter o cérebro ativo ao nível emocional e cognitivo.

As pesquisas realizadas na Universidade de Columbia em Nova Iorque, mostraram evidências de que idosos saudáveis podem produzir tantas células novas como os jovens. E neste processo, o yoga é bem capaz de ajudar.
A equipa de investigadores do Instituto Psiquiátrico dessa universidade examinou o hipocampo de 28 indivíduos saudáveis, com idades entre os 14 e os 79 anos, que morreram de forma súbita. Estes indivíduos não tinham comprometimento cognitivo prévio, nem historial de depressão, nem uso de antidepressivos, já que estes fatores podem inibir a formação de novas células cerebrais. Os cérebros foram examinados e procuraram-se neurónios recém-formados. Também analisaram se havia diferenças nos vasos sanguíneos dos indivíduos mais jovens relativamente aos mais velhos.

Este estudo permitiu concluir que não há evidência de declínio do número de células cerebrais com a idade. Mas, uma diferença importante foi detetada entre os cérebros de indivíduos mais jovens e mais velhos. Os adultos mais velhos tinham menos vasos sanguíneos novos no cérebro, e possuíam menos grupos de células, que se podem diferenciar e regenerar de maneira flexível. Isso pode significar que cérebros mais velhos são cognitivamente e emocionalmente menos resilientes, o que pode potencialmente explicar alguns declínios na função cognitiva visíveis com a idade. De facto, outras pesquisas anteriores mostraram que o hipocampo é particularmente vulnerável, aos efeitos do stress prolongado, ao longo da vida. No entanto, o estudo não examinou o impacto dos fatores do estilo de vida na renovação de novas do cérebro ao nível do hipocampo. O envolvimento em atividades saudáveis pode contribuir no crescimento celular, sobretudo em adultos mais velhos.

Há estudos a indicar que praticar yoga e meditação contribuem para o aumento do volume do hipocampo em adultos de meia-idade e idosos. Há também evidências de que a prática regular de yoga pode melhorar a função executiva.

Um outro estudo publicado na revista Biological Psychology, reuniu uma amostra de 118 idosos sedentários (média de idades de 62 anos). Um grupo de 61 indivíduos participou em aulas de Hatha yoga e outro grupo com 57 participantes realizou aulas de alongamento, três vezes por semana durante oito semanas. No final, os participantes das aulas de Hatha yoga apresentaram uma melhoria significativa ao nível da memória, da flexibilidade, da função cognitiva e executiva em comparação com o grupo que praticou apenas alongamentos.

O yoga ao integrar movimento físico e maior consciência da respiração e da concentração pode facilitar a comunicação neural e a integração do processamento cognitivo entre cérebro e corpo. Esta capacidade de integrar mente e corpo na concentração, na autoconsciência e na autorregulação, ajuda a explicar por que o yoga e a meditação podem melhorar as capacidades cognitivas e influenciar as redes cerebrais relacionadas.

Fonte de informação:Texto adaptado de https://www.yogauonline.com/yoga-practice-tips-and-inspiration/aging-brains-keep-producing-new-cells-research-finds?inf_contact_key=c2bc5e92cb684df7128f0b29dbe1043b7af6049e2c6beb8aa06804378b1cfe4b. Consulta da referencia: Boldrini, M., Fulmore, C. A., Tartt, A. N., Simeon, L. R., Pavlova, I., Poposka, V., … & Hen, R. (2018). Human hippocampal neurogenesis persists throughout aging. Cell Stem Cell22(4), 589-599.

Alexandra Pereira

Alexandra Pereira é professora de yoga certificada pela Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda (AIPYS), Espanha 2000. Licenciada em Filosofia (FLUP 1988) tem o Curso de osteopatia do Instituo Biomédico Hygea de Espanha (2005). Exerce a sua atividade profissional como professora (...)