Linfoma de células grandes anaplástico associado a implantes mamários

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Existe uma ligação entre alguns tipos de implantes mamários e o risco aumentado de desenvolver linfoma de células grandes anaplástico, um linfoma Não-Hodgkin raro.

Segundo a Food and Drug Administration (FDA) e a World Health Organization, este tipo de linfoma ocorre com mais frequência após colocação de implantes mamários de superfície texturizada, comparativamente aos de superfície lisa. Em fevereiro de 2017 foram contabilizados 359 casos de linfoma de células grandes anaplástico. Nestes casos, 203 foram identificados com implantes texturizados e 28 com implantes lisos. Apenas 312 casos dos 359 relatados apresentaram informações sobre o tipo de preenchimento dos implantes: 186 implantes preenchidos com gel de silicone e 126 implantes preenchidos com solução salina.

A causa do linfoma anaplástico é, ainda, desconhecida. A hipótese mais convincente é que o desenvolvimento do linfoma é causado pelo trauma repetido devido à interação com a superfície do implante texturizado.

O tipo de implante não é fornecido em todos os casos publicados na literatura científica. No entanto, até à data, nenhum caso de linfoma com implantes de superfície lisa foi publicado. A reação do tecido mamário a uma superfície de silicone lisa difere consideravelmente de uma superfície texturizada. A superfície texturizada induz uma reação prolongada o que não acontece com o implante de superfície lisa.

Este tipo de linfoma, associado aos implantes, está atualmente subdiagnosticado, sendo provável um aumento no número de casos nos próximos anos. Por agora a FDA recomenda maior sensibilização para levar a melhores diagnósticos. Isto porque, nem todos os casos estão a ser devidamente diagnosticados e nem todos os casos diagnosticados são relatados na literatura.

Assim, devem ser devidamente investigadas todas as mulheres com implantes mamários que apresentem formação persistente de seroma (derrame) em torno da prótese ou com outros sinais, como vermelhidão, inchaço, dor, prurido ou massa associada à prótese mamária.

Na maioria das vezes, o linfoma anaplástico manifesta-se através de derrame periprótese que pode ocorrer entre 1 a 10 anos após a colocação das próteses mamárias de silicone ou com solução salina.

Embora o risco geral de linfoma anaplástico seja pequeno, no consentimento informado para o aumento mamário e para reconstrução com próteses deve estar incluido o risco deste linfoma. Estes pacientes devem ser educados sobre os sinais de derrame periprótese e sobre outros sinais ou sintomas típicos deste linfoma.

O linfoma de células grandes anaplástico é raro. Porém, algumas recomendações médicas básicas devem ser seguidas pelas mulheres com implantes mamários. Em primeiro lugar, as instruções médicas sobre como monitorizar os implantes mamários devem ser rigorosamente seguidas. O aparecimento de alterações devem ser reportadas de imediato e observadas pelo médico. Realizar uma mamografia de rotina conforme indicação médica. As mulheres com implantes mamários de gel de silicone, devem periodicamente realizar uma ressonância magnética para detetar rupturas e a primeira ressonância magnética deve ocorrer três anos após a cirurgia do implante e depois, a cada dois anos.

Referências: Kaartinen, I., Sunela, K., Alanko, J., Hukkinen, K., Karjalainen-Lindsberg, M. L., & Svarvar, C. (2017). Breast Implant-Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma–from diagnosis to treatment. European Journal of Surgical Oncology (EJSO). ; https://www.fda.gov/MedicalDevices/ProductsandMedicalProcedures/ImplantsandProsthetics/BreastImplants/ucm239995.htm; Fonte da imagem: https://www.fda.gov/medicaldevices/productsandmedicalprocedures/implantsandprosthetics/breastimplants/ucm239996.htm 

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