Biobancos: repositórios de esperança

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Os biobancos são repositórios organizados de amostras biológicas, provenientes de procedimentos médico-cirúrgicos como biópsias, cirurgias ou colheitas de sangue, com a informação pessoal e clínica dos dadores associada. As amostras biológicas abrangidas por estes repositórios podem incluir tecidos, células, líquidos ou os seus derivados (como ácido desoxirribonucleico – ADN – ou proteínas). Os biobancos, responsáveis por colher, armazenar, processar e distribuir as amostras biológicas e informação relacionada, podem ter diferentes dimensões e finalidades, podendo ser utilizados para fins clínicos, investigacionais ou judiciais.

Os biobancos podem revolucionar a terapia e diagnóstico de diversas doenças

Desde a década de 90 que os biobancos têm vindo a revolucionar o diagnóstico e terapia de diversas patologias pois permitem o acesso partilhado a inúmeras amostras biológicas por cientistas e médicos de diferentes partes do mundo. Desta forma, o estudo das amostras biológicas e a correlação com os dados pessoais e clínicos de cada dador tem permitido compreender diversas doenças, contribuindo largamente para formas mais seguras e eficazes de diagnóstico e terapia e, inevitavelmente, para a redução de custos diretos e indiretos com a saúde. É assim possível, através dos biobancos, correlacionar fatores como a predisposição genética, determinantes ambientais, estilo de vida ou resposta ao tratamento com a caracterização biológica de cada amostra.

As questões éticas e jurídico-legais

A utilização crescente de amostras biológicas, doadas voluntariamente, e da informação associada tem despertado a necessidade de definir e clarificar o enquadramento ético e jurídico-legal dos biobancos em todo o mundo. De facto, são várias as questões que têm vindo a ser consideradas nos biobancos, tais como a necessidade de obtenção do consentimento informado por parte do dador, a preservação da privacidade e identidade das amostras e respetivos dadores, a divulgação dos resultados ou a troca de informação entre equipas.

Por todos estes motivos, os biobancos estão sujeitos a mecanismos regulatórios que salvaguardam os direitos dos dadores, mantêm a qualidade médica e científica do trabalho realizado e garantem a defesa de todos os aspetos éticos e jurídico-legais.

Referências: Martins MFM. Perspetivas públicas em relação aos biobancos médicos e para investigação científica em Portugal. 2015.; Cambon-Thomsen A. The social and ethical issues of post-genomic human biobanks. Nat Rev Genet. 2004;5(11):866-873.; Cambon-Thomsen A, Rial-Sebbag E, Knoppers BM. Trends in ethical and legal frameworks for the use of human biobanks. Eur Respir J. 2007;30(2):373-382.  Photo credit:www.cofeforme.eu/

 

Ana Catarina Mamede

Sobre Ana Catarina Mamede

Ana Catarina Mamede é licenciada e mestre em Ciências Biomédicas pela Universidade da Beira Interior. Doutorada em Biomedicina. Os seus projetos de investigação estão relacionados com a descoberta de novas opções terapêuticas para o cancro do fígado.