Introdução de sólidos na alimentação do bebé: quando?

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A introdução precoce de sólidos na alimentação do bebé, pode comprometer o seu normal desenvolvimento, uma vez que o sistema digestivo e imunológico não estão completamente desenvolvidos.

Enquanto o sistema digestivo e imunitário não estiverem perfeitamente desenvolvidos, o bebé tem maior risco de desenvolver alergia ou intolerância. A amílase pancreática, responsável pela digestão do amido dos hidratos de carbono, só atinge níveis adequados por volta dos 6 meses de idade. É a altura em que a criança começa a mostrar sinais de desenvolvimento consistentes como a prontidão para comer, tema que exploramos no texto anterior.

A exposição precoce aos microorganismos patogénicos potencialmente presentes nos alimentos sólidos, aumenta o risco para diarreias. Também o rim não está ainda capaz de lidar com o aumento da concentração de sódio provocada pela alimentação sólida, antes dos 6 meses.

As razões comuns dadas por mães que iniciam precocemente a alimentação sólida prende-se com o facto de considerarem que ajuda no ganho de peso, na harmonia e duração do sono e que a criança parece estar pronta para a alimentação sólida. Até à data, a literatura não apresenta nenhum benefício na introdução de uma alimentação sólida antes dos 6 meses de idade.

Alguns sinais podem confundir as jovens mamãs ou serem enganadores, levando a pensar que o bebé pode estar preparado para a introdução de uma alimentação sólida. Tome nota de alguns:

  1. Levar ou “mastigar” as mãos ou a roupa
  2. Acordar durante a noite quando anteriormente já estavam a dormir noites completas
  3. Necessidade em ser amamentados com maior frequência ou aumento do número de biberões de leite.

Estes são comportamentos normais do bebé, não são necessariamente sinais de fome ou de prontidão para outro tipo de alimentos que não o leite. Muitas vezes uma ou duas doses extra de leite resolvem a questão.

Bebés que são grandes para a idade, tem necessidade de uma alimentação sólida mais cedo? Falso. O bebé está pronto para alimentação sólida quando o seu sistema digestivo está desenvolvido o suficiente. No entanto, cada bebé é um caso individual e as necessidades de cada um deve ser discutida com um profissional de saúde treinado.

Referências: Anderson J, Malley K, Snell R. Is 6 months still the best for exclusive breas- tfeeding and introduction of solids? A literature review with consideration to the risk of the development of allergies. Breastfeed Rev 2009; 17: 23-31.; WHO(2001). Complementary Feeding Summary of guiding principals. Geneva [online] http://www.who.int/child-adolescent-health/New_Publications/NUTRITION/ Complementary_Feeding.pdf; NHS – introducing solid foods. Start 4 life. 2014. ; Fonte da imagem: http://renegadehealth.com/blog/2013/11/04/commercial-baby-foods-may-not-be-a-good-idea-during-weaning-homemade-alternatives

Marisa Figueiredo

Sobre Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo é nutricionista e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. A prevenção começa in útero.