Introdução alimentar no 1º ano de vida

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A introdução alimentar no 1º ano de vida é um assunto importante para as novas mamãs.

De acordo com a Acta Pediátrica Portuguesa, é consensualmente reconhecido que do ponto de vista da evolução maturativa, o lactente normal de termo esteja preparado para o início da diversificação alimentar a partir dos 4 meses de vida. Aos 4 meses o lactente ganha uma maior estabilidade maxilar e do pescoço e o padrão primitivo de sucção começa a modificar-se.

No entanto, a evidência científica tem demonstrado benefícios para a saúde com o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida.

O leite materno ou a fórmula infantil (no caso de impossibilidade em amamentar) fornece todos os nutrientes necessários durante os primeiros 6 meses de vida e continua a ser uma importante fonte nutricional até pelo menos os 12 meses.

Após os 6 meses as necessidades energéticas tornam-se maiores, as reservas de ferro e zinco começam a reduzir, e o leite materno ou a fórmula infantil não é suficiente, podendo limitar o crescimento e levar a situações de desnutrição. Por esta altura, a criança começa a mostrar sinais de desenvolvimento consistentes com a prontidão para comer.

Uma criança está pronta para comer quando:

– tem um bom controle da cabeça e pode sentar-se com o apoio

– abre a boca facilmente quando vê a comida ou a colher a aproximar-se dos lábios

– existe uma redução do reflexo da língua a empurrar os alimentos para fora

– é capaz de engolir ao invés de sugar

– o alimento é mantido na boca e empurrado para trás para ser engolido

– está interessada no que se passa ao seu redor, especialmente quando vê os cuidadores a comer.

A introdução precoce de sólidos vem substituir o leite materno ou fórmula nos seus nutrientes, o que pode resultar em energia e nutrientes inadequados para o crescimento.

Em algumas crianças, a introdução precoce de sólidos pode encorajar a superalimentação e obesidade quando as quantidades consumidas são bastante elevadas. Também o sistema digestivo e imunológico não está totalmente desenvolvido, colocando o bebé em maior risco de alergia e intolerância.

Referências: Anderson J, Malley K, Snell R. Is 6 months still the best for exclusive breas- tfeeding and introduction of solids? A literature review with consideration to the risk of the development of allergies. Breastfeed Rev 2009; 17: 23-31.; WHO(2001). Complementary Feeding Summary of guiding principals. Geneva [online] http://www.who.int/child-adolescent-health/New_Publications/NUTRITION/ Complementary_Feeding.pdf; Crédit photo : M&R Glasgow/Flickr 

Marisa Figueiredo

Sobre Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo é nutricionista e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. A prevenção começa in útero.