A fisioterapia na oncologia: movimentar para sobreviver

A fisioterapia orientada para a oncologia é uma terapia que está a ser requisitada no sentido de melhorar a qualidade de vida: antes de uma intervenção cirúrgica, após e ao longo de todo o tratamento oncológico.

Há algumas décadas atrás, a grande preocupação médica em relação ao cancro era a sobrevivência dos pacientes, hoje essa preocupação estende-se à qualidade de vida do paciente durante todo o processo.

A fisioterapia pode ser recomendada para várias situações oncológicas: cancro da mama, tumores da cabeça e pescoço, tumores ginecológicos e patologias que advêm do sistema músculo-esquelético.

A fisioterapia é fundamental no tratamento e na recuperação dos pacientes oncológicos por oferecer um acompanhamento em distintas alterações que podem surgir. Entre elas destacam-se:
– diminuição da amplitude articular do braço do lado da mama afetada;
– diminuição da força muscular;
– alterações posturais;
– alterações da sensibilidade;
– desenvolvimento de linfaedema;
– aderências da parede torácica e cicatriz;
– dor.

No cancro da mama, a fisioterapia tem um papel importante na orientação do paciente antes da cirurgia, no pós-cirúrgico imediato com exercícios primordiais que o paciente pode realizar para recuperar as amplitudes dos membros superiores e diminuir a dor, assim como prevenir complicações como o linfedema.

Nos tumores ginecológicos, os pacientes podem ficar com alterações físicas, e nestes casos o papel da fisioterapia é importante para diminuir as alterações de sensibilidade, a dificuldade em caminhar, a incontinência urinária e no linfedema dos membros inferiores. Nestas situações o fisioterapeuta trabalha com exercícios respiratórios, posicionamento do paciente e procura prevenir complicações funcionais estimulando uma recuperação rápida.

Nos cancros da cabeça ou do pescoço, a fisioterapia deve de ser iniciada de imediato no pós-operatório para que se possa prevenir e tratar edemas localizados, alterações respiratórias e ajudar a diminuir a dor. Nesta patologia, o fisioterapeuta trabalha os movimentos da cervical para que se possa aumentar e preservar os movimentos da cabeça, mobiliza os membros superiores e trabalha a diminuição do linfedema.

Os procedimentos mais utilizados pela fisioterapia no tratamento de doenças oncológicas são: drenagem linfática manual, mobilização com exercícios ativos, passivos e ativo-passivos, alongamentos, exercícios respiratórios, treino de marcha e de equilíbrio, reeducação postural, entre outros.
Concluindo, no tratamento destas patologias é importante a mobilidade, para evitar que as alterações que surgem com a doença se agravem, mas acima de tudo para que haja uma boa qualidade de vida nos pacientes oncológicos.

Referências: BOX, R. Rehabilitation After Breast Câncer, in Sapsford, R Bulloch-Saxton,J Marcwell, S. Women´s Heslth- A textboock for Physiotherapist. WB Saunders Company, Ltd.1999.; BOX, R.C. REUL-HIRCHE, H.M. BULLOCK-SAXTON, J.E. FURNIVA, C.M. Shoulder movement after breast cancer surgery: results of a randomised controlled study of postoperative Physiotherapy, Brest Cancer Res Tret. Vol 75, pg. 35-50. Sep. 2002; Créditos da imagem: © Amir Kuckovic://www.flickr.com/photos/childofwar/4392119662

Cátia Mota

Cátia Mota é fisioterapeuta, licenciada em Fisioterapia (CESPU- 2014). Colaboradora na Clínica Santa Barbara, desde setembro 2014. Atualmente é também fisioterapeuta na Clínica MAPADI. Gosta de passeios ao ar livre, essencialmente à beira mar. Acredita que os cuidados de saúde são para (...)