O efeito protetor da amamentação na depressão pós-parto

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Os benefícios da amamentação, quer para o bebé, quer para a mãe, foram já discutidos em textos anteriores, no entanto é importante atualizar a recomendação da Organização Mundial de Saúde sobre o aleitamento materno exclusivo entre os 4 e 6 meses.

A equipa de investigação de Bárbara Figueiredo, da Unidade de Investigação Aplicada em Psicoterapia de Psicopatologia da Universidade do Minho, em parceria com Tiffany Field, da Escola Médica da Universidade de Miami, vem reforçar as inúmeras vantagens da amamentação, desta vez relativa à saúde mental.

Num estudo de coorte que envolveu 145 mulheres, avaliadas no 1º, 2º e 3º trimestre de gestação e mais tarde no período neonatal e 3 meses após o parto, pretenderam verificar se a depressão ao longo da gravidez se relacionava com a duração da amamentação e se, esta por consequência, prevenia a depressão pós parto.

O estudo conclui que, o nível de depressão no 3º trimestre de gestação é um bom preditor para a duração da amamentação exclusiva uma vez que ambos se relacionam inversamente. Por outro lado, as mulheres que mantiveram a amamentação exclusiva por um período superior a 3 meses tiveram uma redução significativa na escala da depressão.

Este estudo fortalece outros estudos anteriores, realizados em vários contextos socio culturais, em que demostrou: mães com depressão tendem a amamentar menos ou por menos tempo comparativamente a mães não deprimidas.

A amamentação reduz a resposta do cortisol ao stress, assim como pode regular o sono e a vigília da mãe e do filho, o que contribui para a redução do risco de depressão, melhora o envolvimento emocional entre a mãe e a criança e promove uma melhor interacção entre eles.

Referências: Figueiredo B., Dias C.C. ,Brandão S., et al. Breastfeeding and postpartum depression: state of the art review. Jornal Pediatr (Rio J). 2013;89(4):332-338; Figueiredo B., Canário C. e Field T.. Breastfeeding is negatively affected by prenatal depression and reduces postpartum depression. Psychological Medicine. April 2014 Vol 44 (05) pp 927-936. Fonte da imagem: http://www.despertarmaterno.com.br/2014_06_01_archive.html 

Marisa Figueiredo

Sobre Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo é nutricionista e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. A prevenção começa in útero.