Não perca de vista os bons e velhos amigos!

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Em momentos extremos e delicados da vida pomos em perspetiva as nossas prioridades e por isso quando um bom amigo parte, encontramos sempre tempo para parar e lhe prestar homenagem. Nesses momentos, quantas vezes não ouvimos alguns lamentarem que nos deveríamos ter organizado para estarmos mais tempo em partilha com o ou a amiga de quem nos despedimos?

“Desejava ter mantido o contacto com os meus amigos”. Este é o quarto maior arrependimento dos doentes em fase terminal, mencionado no livro da enfermeira australiana Bronnie Ware, já citada anteriormente.

Sejamos francos e condescendentes connosco próprios em primeiro lugar: cada um de nós fará, supostamente, o que lhe é possível, dadas as circunstâncias da vida de cada um, para manter e nutrir as relações que considera importantes e gratificantes.

Na verdade, a rotina e as exigências do dia-a-dia, nomeadamente, o considerável tempo despendido com o trabalho e outras tarefas não deixam muita margem para alimentar a nossa vida afetiva e o contacto com as pessoas que nos são importantes, sobretudo se as mesmas estão fisicamente distantes.

Assim, em primeiro lugar, urge sublinhar que não depende apenas de nós investir nesta área tão importante para a nossa saúde mental. Despender de tempo para estarmos com as pessoas com quem escolhemos partilhar a nossa vida, nomeadamente, a família e os bons amigos, não depende só de nós, depende, também e muito da criação de condições sociais, económicas e laborais para que essa dimensão seja considerada e valorizada.

Ainda assim, é fundamental que consigamos ocasionalmente encontrar algum tempo para revermos velhos e bons amigos. Refiro-me aos amigos que podem não estar sempre no “filme” da nossa vida mas que encontramos sempre que algo de significativo ocorre e, sobretudo, aqueles amigos que de algum modo nos ensinaram o valor da lealdade e da gratidão, que nos souberam apoiar e reconfortar, que nos fizeram sorrir, que nos souberam abraçar ou que simplesmente partilharam connosco a nossa vida, congratulando-se de forma sincera sempre que nos viram felizes e que lamentaram verdadeiramente as nossas tristezas e dificuldades.

Os verdadeiros amigos são a família que tivemos a oportunidade de escolher e felizmente, mesmo que tenha passado muito tempo, sempre que revemos um verdadeiro amigo, temos a sensação de que nos vimos ontem. Na amizade sincera opera-se o milagre da ausência de espaço e de tempo. Com o passar dos anos, percebemos que alguns amigos ficaram pelo caminho mas os verdadeiros amigos, de algum modo estão e estarão sempre presentes. Ainda assim, não perca de vista os bons e velhos amigos!

Créditos da imagem: Firat Sola disponível em https://www.flickr.com/photos/62dentavsan/8294977241
Rita Rosado

Sobre Rita Rosado

Rita Rosado licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (1997). Concluiu o Mestrado em Ciências da Educação – Formação de Adultos em 2007. Trabalha na área de Orientação Profissional e o seu interesse pela problemática da prevenção do cancro aprofundou-se após a experiência que vivenciou enquanto familiar de doentes de cancro.