O Relógio da Vida: os nossos ritmos biológicos!

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Porque é que à noite temos sono? Porque é que a temperatura corporal sobe ao fim do dia? Porque é a pressão arterial aumenta de manhã? Porque é que tanto os alimentos como os medicamentos têm efeitos diferentes conforme as horas do dia? Porque é que às 3 da manhã estamos no momento mais fraco de concentração?

Estas são perguntas lícitas que pertencem a um domínio que raramente vemos publicado (e divulgado) não obstante a sua indiscutível importância para o bom funcionamento orgânico e a manutenção da saúde e do bem-estar, incluindo a nossa sobrevivência: os ritmos biológicos!

Chama-se “cronobiologia” ao ramo da ciência que estuda a organização temporal dos organismos vivos e dos mecanismos que controlam os diferentes sistemas vitais e as atividades químicas e elétricas de cada órgão. Verifica-se então que a organização temporal da vida tem um enorme efeito sobre as estruturas e as dinâmicas dos seres vivos (e não só). Ou seja, o tempo, para nós, (que podemos dividir em segundos, minutos, horas, semanas, meses, estações do ano e anos) não é algo linear.

Peguemos em dois exemplos: um condutor de automóvel corre muito mais riscos de ter um acidente de automóvel entre as 3 e as 4 da manhã numa estrada sem tráfego do que durante o dia no meio do caos urbano; as pessoas correm maior risco de sofrerem um ataque cardíaco entre as 6 e as 9 horas da manhã no inverno do que ao fim do dia e no verão.

Ocorreu uma vez um grave acidente aéreo nos Estados Unidos em que pereceram todos os passageiros e tripulantes por razões durante muito tempo inexplicáveis quando estava tudo bem com o avião e com as condições atmosféricas. Depois de longas investigações chegou-se à conclusão que os pilotos cometeram graves erros minutos antes do acidente porque os seus cérebros estavam a funcionar como se fosse 5 horas mais tarde e, por isso, não estavam nas melhores condições para tomarem decisões (tinham dormido muito pouco e mal nas últimas 24 horas em que atravessaram vários fusos horários).

O estado do nosso organismo varia pois em função das horas, dos dias e dos meses. Por exemplo, o nosso corpo “fabrica” mais cortisol (a hormona do stress) de manhã, por volta das 8 horas, do que noutras horas (e daí o risco de mais problemas cardiovasculares nesse período). Outro pico é o da prolactina que ocorre de noite quando as secreção do cortisol é mais fraca. A prolactina é uma hormona produzida numa área do cérebro chamada “hipófise” que coordena outras glândulas vitais do corpo e está implicada em aptidões como a memória, o raciocínio e o próprio desempenho da inteligência).

Os “ritmos biológicos” nos seres vivos (animais e plantas) têm uma origem genética, são hereditários e visam o equilíbrio e a eficiência corporal, a adaptação ao ambiente, a saúde e a sobrevivência.

Nelson S. Lima

Sobre Nelson S. Lima

Professor Universitário e Investigador de Mental Performance (Inglaterra e Brasil). Conferencista sobre Saúde, Longevidade e Desenvolvimento. Formação superior em Neuropsicologia e Hipnologia Médica. Colaborou no Stop Cancer Portugal entre dezembro de 2012 e julho 2015. Por indicação do autor, os seus textos não obedecem ao novo acordo ortográfico.  


  Lecturer, researcher and writer of Science and Technology. Pro-Rector and teacher of Neuroscience at the University of the Future (Brazil and England). Registered in the British Science Writers Association (ABSW) and member of the Association for Psychological Science since 2001. Commissioner of Education Quality Accreditation Commission. Regular collaborator in several periodic publications. Collaborator member in the Stop Cancer Portugal since December 2012.