Tenho fome!

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Ter fome é um processo fisiológico fundamental para a manutenção da vida. A fome é um sinalizador, que através de alguns neurotransmissores, promove a homeostase nutricional – o equilíbrio dinâmico e vital entre a oferta exógena e os gastos endógenos em calorias, proteínas, minerais, vitaminas, entre outros.

Para o ser humano a alimentação adquire uma importância que vai muito para além das necessidades fisiológicas. Representa também um fenómeno de socialização e de prazer.

Por isso, as escolhas alimentares não são tomadas e determinadas exclusivamente devido a necessidades fisiológicas ou nutricionais.

Entre os diferentes fatores que influenciam o que escolhemos para comer, estão os determinantes sociais e psicológicos. A companhia da família, dos amigos, dos colegas pode mudar por completo o que vamos escolher para almoçar por exemplo. Também o estado de espírito, o stress, a culpa, tão naturalmente humana, pode ditar o que vamos comer e quanto vamos comer.

O desejo de comer surge frequentemente na ausência de necessidades nutricionais.

Não é fácil compreender quando estamos verdadeiramente com fome ou é apenas um desejo ou vontade de comer.

A fome fisiológica é caracterizada por ser gradual, paciente, recetiva a diversos alimentos e termina quando são supridas as necessidades do organismo.

Designa-se fome emocional quando a necessidade de comer é em função do estado emocional e não propriamente das necessidades fisiológicas.

É por isso que algumas pessoas quando confrontadas com situações de stress, têm tendência a comer mais e, por outro lado, a ter escolhas alimentares menos saudáveis, como por exemplo aumentarem o consumo de doces.

Ao contrário do que acontece com a fome fisiológica, a fome emocional é repentina, urgente e normalmente não termina com a saciedade do organismo. Aliás, em muitas situações há o desejo de um alimento em específico. O problema coloca-se quando a fome emocional se torna um hábito, levando a comportamentos alimentares pouco saudáveis e que poderão, em casos mais graves, originar distúrbios alimentares, como a obesidade.

É muito importante conhecer e compreender os sinais do nosso organismo, pois só assim poderemos fazer escolhas adequadas e viver com saúde.

Para nos ajudar nesta tarefa, foi criada uma escala da fome. Esta escala permite que qualquer pessoa tome consciência e possa distinguir, durante o dia, qual é o seu estado no que se relaciona com a fome fisiológica.

Referências: The European Food Council (2005). Os determinantes na escolha dos alimentos. Revista do EUFIC; Jomori, M. M., Proença, R. P., & Calvo, M. C. (2008). Determinantes de escolha alimentar. Revista de Nutrição de Campinas, 21 (1), pp. 63-73; Lowe, M. R., & Butryn, M. L. (2007). Hedonic hunger: a new dimension of apetite. Physiology and Behaviour, 91, pp.432-439.
Créditos da imagem:http://cardiohaterstraining.com.au/3-steps-to-end-emotional-eating/

Cristina Ferrão

Sobre Cristina Ferrão

Cristina Ferrão é licenciada em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e ajudar a população a adotar um estilo de vida saudável.