Na próxima refeição, coma com atenção!

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No passado dia 4 de Fevereiro celebrou-se o dia mundial do cancro e um pouco por todos os meios de comunicação social, se fez referência a este autêntico flagelo que mata, só em Portugal, um em cada 4 portugueses, segundo o que ouvi anunciado numa rádio nacional. É muito preocupante! Mas no Stop Cancer Portugal temo-nos vindo a focar nas soluções e não no problema e por isso aqui estamos todos juntos a contribuir com todos os meios possíveis para que um dia possamos erradicar definitivamente o cancro.

Entre as diversas recomendações oficiais que têm vindo a ser divulgadas para a prevenção do cancro, encontram-se os hábitos de vida saudáveis e entre estes, muito especialmente os hábitos alimentares saudáveis. E a este respeito muito tem sido feito no Stop Cancer Portugal e, por isso, pode por aqui encontrar informação muitíssimo rica, variada e sobretudo especializada e fidedigna a respeito de alimentação saudável.

Contudo, e não sendo essa a minha área de trabalho e estudo, venho também falar-vos de alimentação mas numa perspetiva um pouco diferente. Falo de “alimentação em atenção plena” ou “Mindful Eating.

Uma das grandes dificuldades em manter uma alimentação saudável, para além do nosso ritmo de vida acelerado, o qual nos impede muitas vezes de dispormos de tempo para cozinhar e comer de modo saudável, é a chamada “fome emocional”, ou sejam, as motivações afetivas e emocionais do acto de comer.

Quantos de nós não enfrentaram já momentos em que sentimos necessidade de comer porque procuramos conforto, porque queremos recompensar-nos, porque tivemos um dia stressante e cansativo ou porque estamos sós, aborrecidos ou deprimidos?

Comer deveria de ser um acto natural, saudável e prazenteiro com vista à satisfação da fome, conforme nos é referido aqui, contudo, na nossa cultura de abundância, é cada vez mais um acto que realizamos apressadamente e sobretudo sem plena atenção e consciência de qual deveria de ser a verdadeira motivação do acto de nos alimentarmos. Assim, e por este motivo, surgiu este verdadeiro “movimento” chamado “Mindful Eating” ou “Alimentação em Atenção Plena”.

Em que consiste este movimento?

A “alimentação em atenção plena”, inspirada nas práticas orientais da meditação em atenção plena, consiste, segundo o “Center for Mindful Eating”, em permitir a cada um de nós tornar-se desperto para as oportunidades positivas e nutritivas que estão disponíveis a partir do acto de seleção e preparação dos alimentos, respeitando a nossa sabedoria interior.

Esta prática pretende ajudar-nos a mudar a nossa relação com a comida, aprendendo a usar todos os nossos sentidos, escolhendo comer alimentos que nos satisfaçam e que ao mesmo tempo sejam nutritivos para o nosso corpo e reconhecendo as nossas reações à comida: o que gostamos, o que não gostamos, o que nos é indiferente, sem julgamentos e adquirindo cada vez mais consciência do que é realmente a nossa fome física (e não a nossa fome emocional) e das pistas que nos indicam que já estamos saciados e, assim, guiarmos as nossas decisões do início ao fim de uma refeição.

Segundo Leo Babauta no seu livro “52 Changes”, comer em atenção plena ajuda-nos a comer mais devagar e a saborear mais plenamente os alimentos, em lugar de os devorarmos. Deste modo, ficamos saciados mais rapidamente e não comemos tanto. Este autor sugere o seguinte exercício para iniciar uma mudança gradual para uma alimentação em atenção plena:

  1. Escolha uma refeição por dia e assuma para consigo próprio(a) o compromisso de comer essa refeição em atenção plena, todos os dias durante uma semana.
  2. Durante a refeição escolhida, não olhe para o seu telemóvel, nem para o computador ou para a televisão e não leia ou tenha qualquer espécie de entretenimento. Limite-se a comer.
  3. Escolha um sítio específico para comer. À mesa e sem mais nada a não ser um copo de água ou uma chávena de chá.
  4. Olhe para a comida e disfrute da “beleza” do que se prepara para comer.
  5. Saboreie cada garfada, mastigue devagar e prove os alimentos plenamente. Desfrute dos sabores e das texturas. Uma dentada de cada vez. Deglute os alimentos e inspire antes de sequer considerar devorar a próxima garfada.
  6. Repare nos seus “gatilhos” emocionais antes de comer e enquanto está a comer.
  7. Quando estiver quase a terminar, faça uma pausa de 5 minutos. Perceba se está satisfeito, vá fazer qualquer outra coisa e coma mais, apenas se ainda sentir fome após 5 ou 10 minutos.

Leo Babauta, propõe ainda que continue a praticar durante todo o ano. Poderá fazê-lo em eventos sociais e em festas poderá “abusar” um pouco pois só comerá uma pequena quantidade, já que comerá mais devagar. Preparados para o desafio?

Rita Rosado

Sobre Rita Rosado

Rita Rosado licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (1997). Concluiu o Mestrado em Ciências da Educação – Formação de Adultos em 2007. Trabalha na área de Orientação Profissional e o seu interesse pela problemática da prevenção do cancro aprofundou-se após a experiência que vivenciou enquanto familiar de doentes de cancro.