Factores de crescimento no leite humano: o papel protetor

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Não há alimento ou leite industrializado modificado capaz de oferecer ao bebé todos os ingredientes do leite materno.

O leite materno contém numerosos factores de crescimento com efeito na mucosa intestinal, na vascularização, no sistema nervoso e endócrino, de acordo com uma revisão recente sobre a sua composição em nutrientes e compostos bioactivos. Descrevem-se alguns dos factores já identificados e respetivos efeitos:

  • Epidermal growth factor (EGF) promove o seu efeito na maturação intestinal e reparação

Presente no líquido amniótico e no leite materno, o EGF é fundamental para a maturação da mucosa intestinal. Resistente ao baixo pH e enzimas digestivas, à medida que vai passando ao longo do tracto gastrointestinal vai estimulando os enterócitos para aumento da síntese de DNA, divisão celular, absorção de água e glicose e promove a síntese proteica. Esta hormona é responsável por inibir a morte celular programada e corrigir alterações induzidas por citoquinas pró-inflamatórias como o TNF-α.

  • Neuronal growth factors promove o crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso entérico

A imaturidade do intestino do recém-nascido estende-se também ao sistema nervoso entérico, próprio da tracto gastrointestinal, o que requer factores neurotróficos como o brain-derived neurotrophic factor (BDNF) e o glial cell-line derived neurotrophic factor (GDNF) para o seu desenvolvimento, ambos presentes no leite humano.

  • A família de Insulin-like Growth Factor (IGF) interage na multiplicação celular

IGF-I e IGF-II, tal como as IGF binding proteins e IGF-specific proteases, são hormonas envolvidas na multiplicação celular e estão presentes no leite materno. Os níveis são mais aumentados no colostro e reduzem gradualmente ao longo da lactação.

  • Vascular Endothelial Growth Factor (VEGF) promove a regulação do sistema vascular

A angiogénese é regulada primariamente pelo VEGF. Na retinopatia de prematuridade, julga-se que a imaturidade pulmonar, a deficiente oxigenação e a regulação negativa da VEGF, desregula a vascularização da retina, sugerindo o mecanismo pelo qual a amamentação ajuda na redução da retinopatia do prematuro.

  • Erythropoietin (Epo) atua no desenvolvimento intestinal e prevenção de anemia

O leite materno contém quantidades significativas de Epo, a hormona primariamente responsável pelo aumento das “células vermelhas” do sangue, aumentando a hemoglobina e o hematócrito.

  • Adiponectin  contribui para a regulação de metabolismo e da composição corporal:

A adiponectina é uma hormona multifuncional como reguladora do metabolismo e supressão da inflamação. Presente em grandes quantidades no leite materno, atravessa facilmente a barreira intestinal, e parece modificar o metabolismo infantil. Os níveis de adiponectina presente no leite foram inversamente correlacionados com o peso e o IMC na infância.

Referências:Ballard, O. e Morrow, A. Human Milk Composition: Nutrients and Bioactive Factors. [ed.] 60(1). Pediatr Clin North Am. February de 2013, pp. 49-74. Passanha, Adriana; Cervato-Mancuso, Silva A.M., Machado Pinto M.E.. Protective elements of breast milk in the prevention of gastrointestinal and respiratory diseases. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum. [online]. 2010, vol.20, n.2, pp. 351-360 

Marisa Figueiredo

Sobre Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo é nutricionista e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. A prevenção começa in útero.