Yoga e meditação: a mente num lago, sem ondas

Share on Facebook136Share on Google+0Tweet about this on Twitter

Por que razão nos encontramos tantas vezes presos nas mesmas frustrações e nos mesmos problemas?

A mente humana é como um “animal”, difícil de domesticar.

A liberdade existe, mas somente quando a utilizamos para ultrapassar e destruir os hábitos e as convicções desenvolvidos ao longo da vida. Dizemos que vivemos numa sociedade livre, mas na verdade cada indivíduo vive preso nos seus próprios desejos e emoções.

O bom e o mau, o amigo e o inimigo, só existem na mente. Cada homem cria, com a sua própria imaginação, um mundo de virtude e vício, de prazer e de dor. Estas qualidades não dizem respeito à mente mas sim ao ego. Os pensamentos de um indivíduo controlam a sua vida, modelam o seu carácter, tornam-se no seu destino e afetam o mundo que os rodeia.

O objetivo da meditação é manter a mente afastada de todas estas perturbações, permitindo que aquele que medita, possa encarar a totalidade do que o rodeia através de uma nova perspetiva, afastada do ego e das emoções.

A meditação é uma prática ancestral, nasce muito antes da origem da nossa civilização. A razão pela qual se mantém sempre atual no que concerne às suas características fundamentais, deve-se ao facto de ela se apoiar no princípio da tolerância, da universalidade e da simplicidade.

Podemos comparar a mente a um lago, na superfície do qual ondulam as ondas do pensamento. A mente é um fluxo constante de pensamentos. Durante a maior parte das nossas horas de vigília, a mente salta de um pensamento para outro. Estes pensamentos estão carregados de emoções, desejos e recordações. De todas as forças que agitam a mente, os sentidos (principalmente o olhar e a audição), são os elementos que com mais facilidade interferem no pensamento, dando origem a fantasias e a desejos.

A meditação pode ajudar a libertarmo-nos das garras dos sentidos, transformando a mente num lago, sem ondas.

A meditação é a prática através da qual se consegue uma observação constante da mente. Todo o indivíduo passa por períodos mais fáceis e mais difíceis na vida, no entanto, os obstáculos da vida são superados com maior êxito quando os encaramos com uma mente tranquila.

O desafio da meditação consiste então, em conseguir o controlo sobre o nosso mundo interno: o mundo dos pensamentos, das emoções, dos desejos e das recordações.

Reduzindo metodicamente o diálogo interno da mente é possível começar por compreender os caminhos tortuosos da mente, e atingir uma perspetiva de vida mais serena.

A meditação na aula de yoga faz-se sobretudo no final da aula, após o relaxamento final, para que a mente encontre a calma e fique mais centrada e assim adotar de uma forma mais fácil uma atitude meditativa.

Não se ensina a meditar. O que se ensina é a seguir determinados passos que permitem perceber e acelerar o processo de chegar à meditação.

Para iniciar a sua prática de meditação é aconselhável começar num centro de yoga, com um professor credenciado, para o guiar e orientar ao longo da descoberta da meditação.

Fontes de informação: Manual Curso de Professores de Hatha Yoga Ed. Vidya-Academia de Yoga do Porto, 2010. “El libro del yoga”, Swami Visnhu Devananda, Alianza Editorial, S. A., 2001; “Yoga y Meditacion”, Swami Visnhu Devananda, Alianza Editorial, S. A., 2001.
Fonte de imagem: http://blog.hqc.sk.ca/2013/06/03/quarterly-reviews-about-slowing-down-to-speed-up-learning/

Alexandra Pereira

Sobre Alexandra Pereira

Alexandra Pereira é professora de yoga certificada pela Asociación Internacional de Profesores de Yoga Sananda (AIPYS). Acredita que a prática de yoga pode oferecer uma melhoria da condição física, mental e psicológica do praticante.