Mudar de País e de cozinha

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Para alguém que mudou para outro país, o desafio de cozinhar pode começar no simples percorrer dum corredor de supermercado: novas marcas, novos produtos, nova organização das prateleiras. Alguns produtos/marcas, devido à internacionalização, são comuns em diversos países e fáceis de adquirir, mas não a maioria.

A primeira recomendação que vos deixo, para quem muda de país, é não se sentir frustrado, na primeira vez que sair para fazer as compras. Certamente terá dificuldade em encontrar as coisas mais básicas que usava anteriormente. Mas uma vez que vai para efectivamente viver num país diferente, tem tempo para descobrir onde e como as coisas são vendidas. Mudar de pais não é só uma questão geográfica, não estamos a falar de férias por alguns dias.

Mudar, implica estar disponível para partir à descoberta de novos paladares, novos alimentos e novas formas de cozinhar. Por vezes demora um pouco mais até conseguir fazer essa adaptação! Pode até nunca abraçar por completo a nova cultura gastronómica, mas isso não quer dizer que tenha que abdicar dos seus hábitos e de fazer uma boa alimentação.

Nós portugueses, para continuarmos a beneficiar dos séculos de tradição de como utilizar bem os alimentos, durante a emigração, terá de tentar encontrar algumas soluções para contornar certos obstáculos, na confeção das refeições.

Uma sugestão, passa por explorar o bairro/cidade onde vive e verificar se existe algum comerciante local que venda produtos portugueses,  e assim ir matando saudades dos paladares nacionais. No entanto, o importante será não desistir de cozinhar só porque as coisas não são exactamente iguais. Por isso, siga alguns conselhos:

  • Esteja disponível para a mudança e descoberta;
  • Procure os melhores locais de venda de alimentos, conciliando preços, variedade e frescura;
  • Seja criativo e altere uma receita antiga;
  • Rentabilize os novos produtos pesquisando, como e onde os pode utilizar. Uma conversa com os moradores locais ajuda a fazer essa transição;
  • Legumes e fruta: os mercados locais são uma boa opção em termos de preço e qualidade. Verifique se existe um, onde vive e pode ser que seja surpreendido pela variedade e quantidade de alternativas que pode encontrar. Depois só tem que planear as refeições da semana de acordo com o dia do mercado;
  • Peixe: possivelmente não é o mesmo a que estava habituado e poderá ser necessário encontrar soluções, quer para temperar, quer para o confeccionar. No entanto não é razão para deixar de comer peixe. Uma vez mais nos mercados pode resolver esse problema;
  • Carne: tal como com o peixe pode encontrar diferenças no seu sabor e na confecção;
  • Compras on-line: provavelmente um sistema de compras pouco utilizado por alguns de nós no nosso país natal, mas muito popular por cá. O sistema de garantia de qualidade na entrega dos produtos pós compra on-line é bom, com carrinhas equipadas de câmaras frigoríficas, para manter a qualidade dos produtos desde que saem do supermercado até que chegam a sua casa. O maior problema poderá ser o que escolher no meio duma lista tão extensa. Este sistema tem ainda a vantagem de disponibilizar a venda de peixe e carne fresca.

A grande chave para uma adaptação suave ao novo país é encontrar o equilíbrio entre absorver a nova cultura, mas sem perder a sua própria identidade, e adaptar os seus costumes culinários ao que a nova morada lhe consegue fornecer.

Fonte da imagem:https://retalhosdomundo.wordpress.com/tag/rent-a-local-friend/  

Mónica Castro

Sobre Mónica Castro

Mónica Castro é enfermeira pela Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes. Desde 2012 exerce funções num serviço de internamento que engloba Oncologia, Hematologia e Transplantes, no Reino Unido.