Se tem tomate… tem quase tudo

O tomate é um legume de fruto e, com ele na cozinha, faz-se quase tudo.

Se há tomate, há um universo de possibilidades para preparar uma refeição gostosa e saudável. Ele é o principal ingrediente do molho de tomate usado na pizza e nas massas, do molho de vinagrete e, não podia faltar, do moderno ketchup. O tomate pode virar sumo, sopa ou ser o componente principal de vários tipos de saladas.

São tantas as variedades de tomate hoje disponíveis que não se justifica a monotonia no prato e no paladar.

Experimente algumas variedades de tomate e caia na tentação de as levar para casa e de as degustar. No final ficará a saber quais são as preferidas da família. A título de exemplo use esta lista:

  • FantasioOutdoor Girl e Alisa Craig, são exemplos de tomates de trepadeira;
  • Summer Sweet e Roma, tomates de forma oval ou alongada, os clássicos chucha;
  • Sun Cherry e Sweet Million, muito doces e pequenos são geralmente denominados de tomate-cereja;
  • MarmaladeCountry TasteBrandywine e Amaral, atingem grandes tamanhos, na ordem dos 300 gramas, e pertencem à variedade Beefsteak;
  • Tigerella, Green Zebra e Tiger Tom, são tomates com riscas vermelhas e amarelas e muito saborosos;
  • Yellow BrandywineGold CherryGolden Sunrise e Sungold, este considerado o tomate mais doce do mundo;
  • Tornado e Tumbler, variedades de tomate de cacho;
  • Black Cherry, Black Krim e Chocolate Cherry, variedades de tomate-negro, de origem ucraniana, que estão na moda.

A presença do tomate é essencial na alimentação saudável, devido à riqueza em múltiplos nutrientes e fitoquímicos que o corpo humano é incapaz de fabricar.

Este alimento contribui com quantidades significativas de potássio, vitamina C, β-caroteno (que se converte em vitamina A depois de consumido), folatos e tocoferóis, para além de ser uma fonte considerável de fibra quando ingerido com a pele e as sementes. No entanto, atualmente, o foco central é a riqueza em licopeno, o carotenóide responsável pela cor vermelha do tomate que, segundo estudos realizados, tem uma atividade anticancerígena significativa e, no que diz respeito ao cancro da próstata, reduz o risco para o seu desenvolvimento. Há também indícios de carácter científico sobre o papel do licopeno na redução do risco de cancro do trato digestivo e do cancro do pâncreas.

Um certo número de estudos sugere a ingestão entre os 5 e os 35 mg de licopeno por dia, necessários para reduzir o risco de doença. É equivalente a consumir pelo menos um a dois tomates todos os dias. No tomate, o licopeno concentra-se 3 a 5 vezes mais na casca, em comparação com a sua polpa.

À medida que o perfil nutricional do tomate é explorado, com evidência para as suas vantagens na prevenção e na redução do risco de cancro e das doenças cardíacas, outros constituintes são encontrados, sobretudo na polpa: outros fitoquímicos – naringenina, uma flavanona; apigenina e luteolina, duas flavonas; kaempferol, mircitina e quercetina, três flavonóis. Estas moléculas, também apresentam mecanismos válidos com diferentes atividades anticancerígenas, como têm vindo a ser apresentados nesta rubrica.

Por isso, é provável que aos benefícios declarados do licopeno, se juntem outros, devido à complexa riqueza nutricional do tomate, fornecendo mais benefícios para a promoção da saúde.

Referências: Tan HL, Thomas-Ahner JM, Grainger EM, Wan L, Francis DM, Schwartz SJ, Erdman JW Jr, Clinton SK. Tomato-based food products for prostate cancer prevention: what have we learned? Cancer Metastasis Rev. 2010 Sep;29(3):553-68.; Shi J, Le Maguer M. Lycopene in tomatoes: chemical and physical properties affected by food processing. Crit Rev Food Sci Nutr. 2000 Jan;40(1):1-42.; Giovannucci E, Rimm EB, Liu Y, Stampfer MJ, Willett WC. A prospective study of tomato products, lycopene, and prostate cancer risk. J Natl Cancer Inst. 2002 Mar 6;94(5):391-8.
Fonte da imagem: Scott Bauer, USDA Natural Resources Conservation Service

Este texto foi publicado pela primeira vez no Stop Cancer Portugal em agosto de 2011.

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)