Aditivos Alimentares: será que precisamos mesmo deles?

Os aditivos alimentares estão em praticamente tudo o que ingerimos. Quando lemos os rótulos nas embalagens é possível ver informação sobre corantes, conservantes e aditivos em geral. Mas será que precisamos mesmo deles? Quantas vezes já se questionou, sobre o que representam e quais os efeitos na saúde?

Os aditivos alimentares são substâncias intencionalmente adicionadas aos alimentos e aos produtos alimentares para atingir determinado objetivo tecnológico, por exemplo a conservação.

As suas principais funções são assegurar a segurança e salubridade, proporcionar uma conservação com qualidade, aumentar a disponibilidade dos alimentos fora da época, melhorar ou manter o valor nutricional, potenciar a aceitação do consumidor e facilitar a preparação dos alimentos.

Quanto à sua origem podem ser classificados em naturais e artificiais. Os naturais são os obtidos diretamente da matéria-prima, como é o caso dos agentes espessantes extraídos das sementes, frutos e algas, ou agentes acidificantes como o ácido tartárico proveniente dos frutos. Já os artificiais são aqueles produzidos sinteticamente pelo Homem, como por exemplo corantes como o carmim de índigo ou o amarelo de quinoleína. Estes podem ser encontrados em refrigerantes e gelatinas.

Os aditivos são avaliados de acordo com vários critérios:

  1. forma de absorção no organismo
  2. estabilidade nos diferentes alimentos e bebidas
  3. quantidades seguras de consumo

A utilização de aditivos é regulamentada por legislação própria, tanto em Portugal como em todos os países da União Europeia. Para que possa ser utilizado no processamento de alimentos, qualquer aditivo tem que fazer parte das listas positivas de aditivos alimentares. Estas listas incluem todos os aditivos alimentares autorizados distribuídos por grupos de acordo com a função que desempenham nos alimentos, indicando também os teores máximos permitidos para cada aditivo. A lista pode ser consultada no Regulamento da Comissão (UE) Nº 1129/2011.

A autorização dos aditivos é concedida mediante a demonstração da sua inocuidade para a saúde do consumidor através da realização de estudos toxicológicos rigorosos e da demonstração da sua necessidade tecnológica, feitos por autoridades reconhecidas, nomeadamente pela Autoridade Europeia para a Segurança dos alimentos, pelo Comité Científico da Alimentação Humana da União Europeia e pelo Comité Misto de Peritos em Aditivos Alimentares da FAO/OMS. Depois de autorizados, os aditivos podem ser reavaliados se surgir alguma suspeita sobre a sua inocuidade.

É atribuída a letra E (de Europa) a todos os aditivos aprovados como seguros para a utilização em géneros alimentícios, tratando-se simultaneamente de uma forma simples e conveniente para rotular os aditivos permitidos, em todas as línguas da UE.

Hoje em dia é difícil evitar totalmente os aditivos, contudo não é necessário “entupirmo-nos” com eles. O ideal será utilizar produtos naturais, consumindo os processados sempre que não houver alternativa e na menor quantidade possível.

[fonte]Referências: The European Food Information Council, 1998.Aditivos, será que precisamos mesmo deles? Food Today; The European Food Information Council, 2001. O que são Aditivos Alimentares? Food Today; The European Food Information Council, 2009. Descrição de alguns aditivos alimentares Food Today; The European Food Information Council, 2014. Aditivos alimentares e a sua reavaliação na União Europeia. Food Today .
Fonte da imagem: http://www.earthfirst.net.au/blog?terms=&pageno=3 [/fonte]

Cristina Ferrão

Cristina Ferrão, natural de Lisboa, vive atualmente em Castelo Branco. É aluna do 2º ano da licenciatura em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e a (...)