OGM: afinal o que são ao certo?

Atualmente são inúmeras as vezes que ouvimos falar de Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Mas afinal o que são ao certo?

Os Organismos Geneticamente Modificados podem ser definidos como organismos nos quais o material genético (ADN) foi modificado artificialmente. A tecnologia utilizada é geralmente chamada de “biotecnologia moderna” ou “tecnologia genética”, sendo que, por vezes, é também denominada “tecnologia de ADN recombinante” ou “engenharia genética”. Esta técnica permite transferir genes individuais selecionados de um organismo para outro, também entre espécies não relacionadas.

O conceito de OGM surgiu na Europa no século XX, fortemente relacionado com a capacidade dos países produzirem a sua própria alimentação, no caso de eventos de guerra e catástrofes.

Na base da criação dos OGM estão objetivos como o aumento do rendimento com melhoria da produtividade e da resistência a pragas, a doenças e a condições ambientais adversas; a melhoria das características agronómicas, permitindo uma melhor adaptação às exigências de mecanização; o aperfeiçoamento da qualidade; a maior adaptabilidade a condições climáticas desfavoráveis e a domesticação de novas espécies, conferindo-lhes utilidade e rentabilidade para o Homem.

Hoje em dia, continua a ser um tema polémico a nível internacional. Existe um intenso conflito entre os defensores dos OGM e os seus críticos.

De um lado afirma-se que os OGM são mais produtivos e podem ter uma importância fundamental para aumentar a produção de alimentos numa situação de combate à fome no mundo; permitem, também, uma maior resistência a pestes e doenças, possibilitando a redução do uso de pesticidas químicos e proporcionam maior rentabilidade aos produtores.

Por outro lado, são apresentados argumentos desfavoráveis: perigos ambientais, risco para a saúde pública e preocupações económicas.

Aqueles que combatem a tecnologia afirmam que em pouco tempo ervas invasoras e insetos deverão, através da seleção natural, adquirir resistência aos agroquímicos utilizados para o seu controlo, o que requereria dosagens cada vez mais elevadas e acarretaria maiores danos para o meio ambiente e menor rentabilidade aos produtores. Em termos de saúde pública alertam para efeitos secundários: alergénicos, resistência a antibióticos e efeitos desconhecidos na saúde humana.

Muita da tecnologia usada para criar os OGM, bem como as plantas já geneticamente modificadas (GM), foram patenteadas. Isto pode fazer com que as sementes das plantas GM fiquem a preços inacessíveis aos pequenos agricultores e aos países do terceiro mundo.

A polémica sobre os organismos geneticamente modificados é multifacetada, envolvendo aspetos científicos, económicos, sociais, ambientais, sanitários e, especialmente, políticos.

Referências: Costa, T. E., Dias, A. P., Scheidegger, E. M., & Marin, V. A. (2011). Avaliação do risco dos organismos geneticamente modificados. Ciência & Saúde Coletiva, 16(1), pp. 327-336; Food and Agriculture Organization of the United Nations. (2009). Biosafety of Genetically Modified Organisms: Baic concepts, methods and issues; Fresco, L. O. (2001). Genetically Modified Organisms in Food and Agriculture: Where are we? Where are we going? Conference on “Crop and Forest Biotechnology for the Future”; Menasche, R. (2005). Os grãos da disc´rdia e o trabalho da mídia. Opinião Pública, XI, pp. 169-191; Organização Mundial de Saúde. (s.d.). 20 Perguntas sobre los alimentos genéticamente modificados (GM).
Fonte da imagem: http://www.wallpapersis.com/wallpaper/model-molecule-dna.html

Cristina Ferrão

Cristina Ferrão, natural de Lisboa, vive atualmente em Castelo Branco. É aluna do 2º ano da licenciatura em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e a (...)