Será que as emoções afetam assim tanto o que comemos?

Nova colaboração de Cristina Ferrão e Sofia Costa, alunas na Escola Superior de Castelo Branco a frequentar o Curso de Licenciatura de Nutrição e Qualidade Alimentar. A partir de hoje, haverá regularmente um espaço dedicado ao tema “Os alimentos e as emoções”.

Muitos dos alimentos que escolhemos no dia-a-dia são, em parte, o resultado dos diferentes estados emocionais que estamos a viver. Por isso, torna-se difícil praticar uma alimentação equilibrada. Mas será que as emoções afetam assim tanto o que comemos?

Sim, o comportamento alimentar é, de facto, bastante afetado pelas emoções, sendo que as escolhas alimentares, a quantidade e a frequência das refeições, estão ainda dependentes de múltiplas variáveis e, cada vez menos, estão relacionadas com as necessidades fisiológicas.

Mas também acontece o inverso, o tipo de alimentação pode afetar os processos mentais, as emoções e o bem-estar. Por exemplo, sabe-se existirem certos nutrientes que interferem positivamente com o cérebro, o que faz com que possamos utilizar os alimentos ricos nesses nutrientes, para influenciarmos positivamente o humor e consequentemente o comportamento.

A explicação científica para este envolvimento, entre alimentação e as emoções deve-se à química dos alimentos, por ser capaz de alterar a produção de certos neurotransmissores, as substâncias responsáveis por transmitir os impulsos nervosos entre o cérebro e o corpo, e que, se transformam em sensações.

Com isto não significa que passemos a vida a comer só determinados alimentos, porque a base da alimentação saudável apoia-se no equilíbrio e na variedade para ser completa.

Como é que os alimentos influenciam as emoções?

Tem havido uma evidência científica crescente a mostrar que o humor positivo e o humor negativo estão associados a uma maior ou menor ingestão de alimentos ricos em hidratos de carbono e gordura, do que o humor neutro, o que demonstra que a qualidade da dieta tem impacto no nosso humor e, vice-versa.

A alimentação tem significados que vão para além da mera função nutritiva, ela pode, por exemplo representar um “prazer imediato” e, portanto servir para aliviar e compensar sentimentos como tristeza, angústia, ansiedade e medo.

É frequente consumirmos determinados alimentos, sobretudo doces, com a finalidade de mitigar determinados conflitos existenciais e entendidos como não tendo solução. É por isso que, por vezes, um alimento pode ser um condutor de afeto, mas torna-se um problema quando este substitui os confrontos e as rejeições.

Compreender a relação que existe entre os alimentos e as emoções, como se influenciam, é o primeiro passo para fazer escolhas corretas e saudáveis e começar a adotar um estilo de vida saudável.

Referências: Canetti, L., Bachar, E., & Berry, E. M. (2002). Food and emotion. Behavioural Processes, 60(2), 157-164.; Christensen, L., & Brooks, A. (2006). Changing food preference as a function of mood. Journal of Psychology, 140(4), 293-306.; Kaufman, A. (2012) – Alimento e emoção. São Paulo: Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Fonte da imagem: http://www.healthyhippie.net/9-tips-for-healthy-eating/

Cristina Ferrão

Cristina Ferrão, natural de Lisboa, vive atualmente em Castelo Branco. É aluna do 2º ano da licenciatura em Nutrição Humana e Qualidade Alimentar na Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Acredita na divulgação do conhecimento com bases científicas, como meio de promover a saúde e a (...)