Leite materno: para o menino e para a menina

O leite materno é o primeiro alimento do recém-nascido.

A composição ao longo das fases da lactogénese é variável. O colostro, produzido nos 3 primeiros dias após o parto é, comparativamente ao leite “maduro”, mais rico em proteínas e menos em hidratos de carbono, para além de possuir uma maior concentração em sódio, potássio e cloro.

O leite maduro contém cerca de 3 a 5% de gorduras, 0,8 a 0,9% de proteínas e 6,9 a 7,2% de hidratos de carbono. A quantidade de gordura não é muito variável ao longo da lactação, contudo, varia de acordo com o período do dia, com a duração de cada mamada e com a dieta materna que influencia directamente a quantidade e a qualidade em ácidos gordos presentes.

A novidade para este tema numa perspetiva evolucionista, prende-se com o facto de estudos em humanos e outros mamíferos, sugerirem que a composição do leite materno parece variar de acordo com o género em causa e de acordo com a condição económica das mães.

Um estudo numa população “economicamente sustentável” do Quénia mostra que, as mães de rapazes apresentavam uma quantidade de gordura no leite materno de 2,8%, enquanto que mães de raparigas apresentam 1,74% de gordura no leite produzido. Já na população “empobrecida”, as raparigas eram favorecidas pela produção de leite com maior percentagem de gordura (cerca de 2,6% para 2,3% nos rapazes). O mesmo tipo de estudo tinha sido levado a cabo em animais com resultados semelhantes para ambos os sexos.

Também as mães bem nutridas do estado de Massachusetts produziram leite com maior densidade energética para filhos rapazes. Em macacos rhesus, o leite produzido para os machos apresentou níveis de cortisol mais elevados, a hormona que regula o crescimento e desenvolvimento nas crias.

De acordo com a hipótese Trivers-Willard, a seleção natural favorece o “investimento parental” nas filhas em épocas de crise, e nos filhos em épocas de abundância, principalmente em espécies poligâmicas. Tal deve-se ao facto de em épocas de escassez, a fêmea se reproduzir com maior certeza do que o macho, que tem de competir por parceiras, enquanto em épocas de abundância o macho pode acasalar com múltiplas fêmeas.  

Referencias: Jenness R. The composition of human milk. Semin Perinatol. 1979 Jul;3(3):225-39; Fessenden M. Boys and Girls May Get Different Breast Milk -Milk composition differs based on a baby’s sex and a mother’s wealth. Scientific American. December 2012.

Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo, nutricionista licenciada em Ciências da Nutrição e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, iniciou atividade clínica em 2004. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportame (...)