Experimente a beleza da arte e da natureza

natureza“Nunca esquecerei como na minha segunda noite em Auschwitz acordei de um sono profundo e exausto – despertado por música (…) De súbito, houve um silêncio e um violino cantou para a noite um tango…(..) Como a vida interior do preso tendia a tornar-se mais intensa, ele experimentava igualmente a beleza da arte e da natureza como nunca o fizera antes.” Neste excerto de “O Homem em Busca de um sentido” , Viktor E. Frankl, um neurologista e psiquiatra austríaco que, durante a segunda guerra mundial, experienciou a tragédia da vida aprisionada em vários campos de concentração, revela-nos como a beleza da arte e da natureza desempenham um papel essencial para a nossa saúde mental e psíquica.

Desde sempre, o Homem precisou de se exprimir, criando. É exemplo disso as inúmeras gravuras rupestres que foram sendo descobertas ao longo dos anos.

A expressão artística e a simples contemplação de obras artísticas, parecem representar uma necessidade humana mais do que um devaneio de que se possa prescindir. Claro está que depende da concepção que tenhamos de arte mas se a considerarmos no seu sentido mais vasto e sublime, torna-se clara a sua importância, independentemente das circunstâncias de vida de cada pessoa. Um bom exemplo é as expressões de arte popular que sobrevivem até aos nossos dias, passadas de geração em geração, tais como as cantigas ou contos tradicionais. E poderíamos encontrar mais e mais exemplos pois quase não existe forma de expressão artística tais como o teatro, a dança, a gravura, a pintura ou a música, das quais não existam evidências que remontam a um passado bastante remoto da história humana. É, contudo, comum na actualidade, considerar-se que a arte e a cultura é algo acessório e restrito, por vezes só acessível a alguns, contudo a história mostra a sua universalidade.

A contemplação e criação artística é essencial aos seres humanos enquanto expressão do seu mundo interior, daí a importância de alimentarmos esta nossa dimensão e é possível fazê-lo com absoluta simplicidade. Podemos dar-lhe alguns exemplos: comece pela simples contemplação do mundo natural. Já observou a magnífica beleza das cores das folhas das árvores quando chega o Outono? As paisagens naturais, sobretudo as que ainda não foram transformadas pelo Homem, são autênticas telas ao alcance de todos, assim como os contos ou canções que aprendemos com os nossos pais e avós e que podemos contar e cantar aos nossos filhos.

E aqui só lhe damos os exemplos de maior simplicidade mas há muitos mais ao alcance de todos nós. Procure uma biblioteca e leia, gratuitamente, um bom livro; ouça música; vá ao teatro (nem que seja para ver uma peça representada pelo grupo de teatro amador mais próximo); leia com os seus filhos e aprecie as magnificas ilustrações dos livros infantis; desenhe, pinte, escreva…enfim, crie e sonhe pois essa é uma necessidade vital que lhe trará inquestionavelmente mais saúde física e mental e sobretudo, que o fará sentir que a vida faz sentido em qualquer circunstância!

Por indicação do autor, este texto não obedece ao novo acordo ortográfico.

Rita Rosado

Rita Rosado nasceu em 1974 no Barreiro apesar de viver actualmente numa aldeia do Concelho de Tomar com a sua família. Licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa em 1997, é membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugu (...)