Tatuagens escondem cancro da pele

Tatuagem Maori num retrato de Tukukino,obra de Gottfried Lindauer.
Tatuagem Maori num retrato de Tukukino, obra de Gottfried Lindauer

As modificações da pele fazem parte da nossa história enquanto espécie. Vários povos ancestrais pintaram, tatuaram e moldaram partes do corpo. Em algumas culturas ainda se efetuam essas modificações. As tatuagens adquiriram diferentes valores ao longo do tempo, desde associadas a rituais religiosos, passando por meio de identificação dos prisioneiros dos campos de concentração até ser uma forma de arte. A tatuagem é um desenho, uma coloração definitiva (em alguns casos é possível reverter) da pele, que resulta da introdução de pigmentos no tecido subcutâneo através de agulhas. São estes pigmentos que podem esconder o cancro da pele.

O primeiro sinal de alerta de um cancro da pele é a alteração da coloração ou textura da pele ou a alteração da coloração, textura, formato dos bordos ou tamanho de um sinal. Ao modificarmos a coloração normal da pele por uma outra, estamos a aumentar a possibilidade de alguma alteração passar despercebida. Essa possibilidade agrava-se se o pigmento escolhido for muito escuro. Para além disso, uma equipa médica alemã detetou um caso em que o melanoma se desenvolveu num sinal durante a fase de remoção da tatuagem via laser.

Se tem ou conhece alguém que tem ou está a pensar fazer tatuagens, compartilhe as recomendações deixadas pela equipa alemã:

1 – Não faça tatuagens sobre sinais, marcas de nascença ou locais onde já há uma alteração da cor da pele. Se realmente o fizer, não escolha pigmentos escuros.

2 – Se fizer ou já tiver uma tatuagem sobre alguns desses locais, não a remova por via laser sem primeiro confirmar de que está tudo bem. Consulte um especialista para observar o local e efetuar biopsia, se assim o entender. O laser irá descolorar a pele e pode tornar invisível o desenvolvimento do cancro da pele.

3 – Se tiver esses sinais ou marcas debaixo da tatuagem deverá ter uma vigilância mais apertada, pelo que recomendam uma visita semestral ao dermatologista.

Fontes: http://www.webmd.com/melanoma-skin-cancer/news/20130731/tattoos-can-hide-malignant-melanomas-experts-say;  Laura Pohl; Kathrine Kaiser; Christian Raulin. Pitfalls and Recommendations in Cases of Laser Removal of Decorative Tattoos With Pigmented Lesions, Case Report and Review of the Literature. JAMA Dermatol. 2013;149(9):1087-1089. doi:10.1001/jamadermatol.2013.4901.

Miguel Oliveira, natural de Braga, licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian – Universidade do Minho (2007), com passagem por Itália na área oncológica ao abrigo do programa de intercâmbio Europeu ERASMUS. Formador com CAP (2008), Pós-Graduado em Neuropsicologia de Intervenção pelo CRIAP/Associação Portuguesa de Neuropsicologia (2010). Colaborou no IEFP como formador. Iniciou a atividade de enfermagem em 2008 num hospital oncológico em Portugal, atualmente exerce a profissão no Reino Unido. Colaborou em vários projetos relacionados com a prevenção primária e apoio a doentes com cancro colo-rectal e seus familiares (Europacolon Portugal). Membro ativo na Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa, atualmente colaborador no Workgroup Dor. Por indicação do autor, os seus textos não obedecem ao novo acordo ortográfico.     Miguel Oliveira, born in Braga, Portugal, completed the Nursing License Degree at Calouste Gulbenkian Superior Nursing School, University of Minho (2007), with oncology experience in Italy under the European student exchange program ERASMUS. Former certified by IEFP (2008), completed the Post-Graduate Degree in Neuropsychology Intervention at CRIAP/ Portuguese Society of Neuropsychology (2010). Collaborated with IEFP as a former. Started as a Nurse Staff in 2008 in a cancer hospital in Portugal, at the moment is a Registered Nurse working in the UK. Collaborated in several projects dedicated to cancer primary prevention and support to colorectal cancer patients and its family (Europacolon Portugal). Active member of the Portuguese Association of Oncology Nursing, at the moment collaborates with the Pain Workgroup.