Causas de abandono do aleitamento materno – parte 2

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dv238020No artigo anterior publicado no mês passado, falámos acerca das contra indicações do aleitamento materno e demos início às causas de abandono do aleitamento, por motivos de alterações fisiológicas que podem afetar a mãe. Este texto pretende dar continuidade ao tema.

Bloqueio dos ductos: no mamilo abrem-se cerca de 10 a 20 canais que drenam o leite. Pode acontecer que alguns destes canais fiquem obstruídos, possivelmente por leite espesso. A mulher que amamenta pode sentir um nódulo (inchaço) doloroso numa parte da mama, e o local ficar avermelhado. A mulher não tem febre e sente-se bem. Esta situação tem como causas prováveis o uso de roupas apertadas (soutien), uma pancada na mama, ou porque a criança não suga daquela parte da mama.

Para tratar, a mãe deve amamentar em diferentes posições de modo a esvaziar todas as partes da mama (por exemplo, colocando o corpo do bebé debaixo do braço). Pode ainda fazer uma leve pressão, com os dedos, no sentido do mamilo para ajudar a esvaziar aquela parte da mama. Deve usar roupas largas e um soutien que apoie, mas não comprima.

Mastite: se o ducto (canal) bloqueado não drenar o leite, ou no caso de ingurgitamento mamário grave, o tecido mamário pode infectar. Neste caso, parte da mama fica avermelhada, quente, com tumefacção (inchada) e dolorosa. A mulher tem febre, normalmente elevada, e sente grande mal-estar – deve consultar o seu médico. Para tratar, o médico indicará quais os medicamentos que deve tomar.

No entanto é fundamental, que a mãe repouse, retire o leite manualmente, ou com bomba e possa continuar a amamentar do lado não afectado.

Mamilos dolorosos e/ou com fissuras (gretados): a causa mais comum de dor nos mamilos é uma má adaptação do bebé à mama materna (pega incorrecta). Por vezes a pele do mamilo parece completamente normal, outras vezes nota-se uma fissura na extremidade ou na base do mamilo.

A amamentação torna-se dolorosa, podendo levar a mãe a amamentar durante menos tempo e/ou com menor frequência. Neste caso poderá ocorrer uma diminuição da produção de leite uma vez que a criança não consegue sugar com eficácia.

Para prevenir, a mãe deve colocar a criança numa posição correcta (cabeça em linha recta com o corpo, face de frente para o mamilo) e verificar sinais de boa pega do bebé.

Não deve lavar os mamilos com sabão, devem ser lavados unicamente uma vez ao dia, não deve interromper a mamada, o bebé deve deixar a mama espontaneamente.

Para tratar os mamilos dolorosos e/ou com fissuras, pode iniciar a amamentação pelo mamilo não doloroso. Deve aplicar uma gota de leite no mamilo e aréola, após o banho e após cada mamada o que facilita a cicatrização.

A mãe deve expor os mamilos ao ar e ao sol, sempre que possível, no intervalo das mamadas.

Se a dor é tão intensa que mesmo melhorando a pega do bebé não desaparece, a mãe pode retirar o leite e dar ao bebé até que o mamilo melhore ou cicatrize.

Referências: Leonor Levy e Helena Bértolo. Manual do aleitamento materno. Comité Português para a UNICEF/Comissão Nacional. Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés. Edição Revista de 2008, Lisboa.

Marisa Figueiredo

Sobre Marisa Figueiredo

Marisa Figueiredo é nutricionista e mestre em Nutrição Clínica, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. É doutoranda na Faculdade de Medicina de Lisboa no curso de Doenças Metabólicas e de Comportamento Alimentar. Dedica o seu trabalho à nutrição clínica, no adulto e na criança, com particular interesse pela alimentação e saúde infantil. A prevenção começa in útero.