Ileostomias e colostomias: que alimentação?

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Alimentação em ostomizados

Ostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um órgão oco que mantém uma comunicação com o meio exterior, através de um orifício. Apesar de poderem ter várias localizações, neste texto, apenas abordaremos as ostomias que drenam produtos do aparelho digestivo, ou seja, as ileostomias (resultante da exclusão de todo o cólon) e as colostomias (resultante da exclusão de parte do cólon).

Tanto as ileostomias como as colostomias podem resultar do tratamento ao cancro no intestino, sendo criado um orifício no abdómen do doente, o qual drena o conteúdo intestinal para um reservatório.

Em ambas as situações, as refeições devem ser baseadas nos princípios de uma alimentação saudável, não existindo, como já referimos, observações dietéticas específicas a ter em conta. Além disso, todos os indivíduos reagem de modo diferente aos alimentos e essas reações não se alteram em resultado da ostomia. Assim, cada doente deverá adequar a sua alimentação (saudável) e evitar ou enriquecer a sua dieta neste ou naquele alimento, consoante a sua reação ao mesmo.

A diarreia, os gases e os odores são as maiores preocupações do ostomizado, visto poderem ocasionar situações desconfortáveis, existindo cuidados que deverão ser tidos em conta para minimizar estas situações. Quando se usa um saco de ostomia, os alimentos novos deverão ser experimentados em casa, um de cada vez, de forma a verificar o efeito dos mesmos, antes de ingeri-los publicamente.

Para diminuir a produção de gases, é importante comer várias vezes ao dia, já que um intestino vazio alberga mais gás, uma das grandes preocupações dos ostomizados. Uma boa mastigação é também muito importante, dado que uma má fragmentação dos alimentos contribui para flatulência. Os alimentos que contribuem para uma maior produção de gás são os feijões, a cerveja, os brócolos, as couves de Bruxelas, o repolho, as bebidas com gás, a couve-flor e a cebola. O consumo de iogurte, por outro lado, ajuda a reduzir o gás.

Também os odores desagradáveis são uma preocupação. Os alimentos que mais contribuem são: os espargos, o feijão, os brócolos, o repolho, os ovos, o peixe, o alho, a cebola, a manteiga de amendoim e os queijos fortes. Por outro lado, alimentos como a manteiga, os sumos de laranja e tomate, a salsa e o iogurte contrariam os maus odores.

Existem alimentos que podem aumentar o risco de bloqueio da ostomia, o que pode conduzir a uma situação de emergência. Assim, são de evitar alimentos que não são totalmente digeridos, como: repolho, aipo, frutos secos, pimento verde, alface, cogumelos, ervilhas, abacaxi, pipocas, sementes e cascas de frutos.

Além disso, deve-se equilibrar a ingestão de fibra, de forma a facilitar o transporte de fezes e a sua eliminação, já que as mesmas facilitam estes processos. Normalmente, após a cirurgia, começa-se com uma dieta pobre em fibras, a qual poderá, ao fim de 6-8 semanas passar a uma dieta normal, introduzindo os alimentos anteriormente não ingeridos com 3 dias de intervalo, de forma a verificar o efeito produzido. Cada caso é um caso. Deve-se dar atenção ao modo como o intestino reage a cada alimento.

A intolerância à lactose é comum nestes doentes. Se se verificar um aumento da flatulência, distensão abdominal, aumento da saída de líquido ou diarreia 10 minutos a algumas horas após a ingestão de laticínios, é recomendável a sua eliminação por alguns dias. Posteriormente, poder-se-à ingerir pequenas doses de cada vez até se perceber qual o ponto de tolerância. Há uma alternativa, o leite sem lactose (à venda em farmácias e supermercados). A bebida de soja não será uma boa alternativa, pois pode aumentar a produção de gás.

Referências: Morais I, Seiça A, Ferreira A, Moreira J, Araújo M, Pereira H, Mineiro C, Athayde R, Marques G. Qualidade de Vida da Pessoa Ostomizada e Seus Cuidadores. Disponível em http://apecept.com/interesses/estudo_epico.pdf. Acedido em 17/6/2013. United Ostomy Associations of America. Diet and Nutrition Guide. Disponível em http://www.ostomy.org/ostomy_info/pubs/OstomyNutritionGuide.pdf. Acedido em 17/6/2013. United Ostomy Association. Guia de colostomia. Disponível em http://www.ostomy.org/ostomy_info/pubs/uoa_colostomy_es.pdf. Acedido em 17/6/2013.

Dina Raquel João

Sobre Dina Raquel João

Dina Raquel João, nutricionista é mestre em nutrição clínica pela Universidade do Porto. Além da atividade de docência, exerce nutrição clínica em regime de clínica privada e dedica-se sobretudo à intervenção nutricional no doente oncológico.