Staycation: A simplicidade de umas férias em casa

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StaycationQuando pensamos em férias, normalmente desejamos sair da rotina habitual, logo não nos imaginamos a ficar em casa mas sim a fazer uma viagem no nosso país ou no estrangeiro.

Um tempo antes, planeamos se vamos alugar uma casa, reservar um hotel, acampar ou ficar em casa de familiares. Fazemos contas ao orçamento de que dispomos e na véspera ou uma semana antes começamos a preparar as malas com tudo o que vamos levar na esperança de vivermos uma ou duas semanas diferentes do habitual.

Aparentemente isto é tudo o que podemos desejar de melhor para fazermos a tão esperada pausa. Mas…como “não há bela sem senão”, esta opção não é isenta de stress. Começando pelas contas para fazer esticar o orçamento, passando pelo fazer e desfazer malas e terminando na planificação de toda a viagem, por vezes as tão esperadas férias podem ser mais um pesadelo do que um sonho.

E se, começar as suas férias sem ter que fazer malas, sem se preocupar com as horas a que vai acordar no dia seguinte para viajar e sobretudo sem fazer “ginástica” orçamental? E se passar férias em sua própria casa? Assim de repente não parece muito tentador mas poderá ser surpreendentemente agradável e relaxante.

Provavelmente, achará que não é nenhuma novidade e estará a dizer a si mesmo que não terá qualquer interesse porque fará o mesmo que faz todos os dias e portanto não quebrará realmente a rotina. Pois a ideia de umas férias em casa, ou “staycation” (fusão dos termos “stay” e “vacation”) como os americanos lhe passaram a chamar, é exatamente o contrário de fazer o mesmo de sempre.

Este termo, “staycation” nasceu na sequência da crise económica que se instalou nos Estados Unidos e que deflagrou depois na Europa, e tem como base a ideia de que é possível passar férias em casa, com um orçamento reduzido, explorando ao máximo todos os recursos da sua aldeia, vila, cidade ou região e regressando depois a casa para dormir descansado na sua própria cama. A ideia é, portanto, ficar em casa mas fazendo aquilo que normalmente não faz.

Faça de conta que é um turista, vá ao posto de turismo e obtenha informações sobre a região; visite algum museu local; desfrute de um piquenique ou da leitura de um bom livro num jardim próximo; explore praias ou paisagens que por falta de tempo nunca visitou e que estão próximas da sua casa; durma uma boa sesta ou prove as iguarias da zona. As possibilidades são infinitas. Só tem que resistir à tentação de fazer o mesmo de sempre. Por exemplo, não faz sentido aproveitar para fazer limpezas à sua casa ou almoçar e jantar sempre em casa, vendo os mesmos programas de sempre na televisão. Se estivesse a fazer férias fora de casa eliminaria uma série de tarefas, não era? Pois se está de férias em casa, a ideia é a mesma.

Há algumas regras simples que pode tentar seguir. Por exemplo, encare as suas férias em casa com a mesma seriedade e empenho com que encararia umas férias fora de casa; faça um plano (embora simples) do que gostaria de fazer ou visitar; “desligue-se” um pouco do mundo exterior (não faz sentido, passar o dia todo agarrado ao iphone e ao tablet); se gosta de ler um bom livro nas férias e dormir na praia, faça-o na mesma; encare a sua casa como se fosse um hotel (claro que se não tem ninguém que lhe limpe a casa, terá que cumprir algumas tarefas mínimas, mas não passe daí); coma, de vez em quando fora de casa (se está a poupar no alojamento, se calhar pode dar-se ao luxo de comer uma vez por outra num restaurante e poupar-se a si mesmo) e já agora, registe os bons momentos tirando fotografias. Porque não?

O movimento “Staycation”  nasceu na sequência da crise económica mas nem todos os seus adeptos se regem por motivos de ordem económica. Para muitas pessoas esta é mais uma forma de adotar, de modo voluntário e consciente, um estilo de vida mais frugal e simples conferindo um maior significado à sua existência com grandes benefícios para a satisfação com a vida e consequentemente para a sua saúde física e mental. Por vezes, o que precisamos para nos sentirmos felizes está mais próximo do que suponhamos, então, por que não usufruir do que temos mesmo aqui à mão em vez de empreendermos em jornadas complexas para no final concluirmos que é bom regressar a casa.

Rita Rosado

Sobre Rita Rosado

Rita Rosado licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (1997). Concluiu o Mestrado em Ciências da Educação – Formação de Adultos em 2007. Trabalha na área de Orientação Profissional e o seu interesse pela problemática da prevenção do cancro aprofundou-se após a experiência que vivenciou enquanto familiar de doentes de cancro.