O simples prazer de uma sesta

sestaSabe o que apenas vinte minutos diários de sesta podem fazer por si? Não?

Então surpreenda-se, pois este simples prazer permite-lhe maior rendimento no trabalho, conduz a uma maior harmonia do seu ritmo biológico e diminui o stress. Estes são os argumentos da Associação dos Amigos da Sesta, constituída formalmente no nosso País em 2003, e que se apoia em pareceres de especialistas tais como Teresa Paiva, Neurologista e a maior especialista na área do sono em Portugal e Damien Léger, professor do Centro do Sono do Hospital Hotel-Dieu em Paris, o qual refere que há determinadas profissões, como aquelas em que os trabalhadores têm uma atividade mental ou física bastante exigente que deveriam consagrar uns minutos de sono entre os dois grandes períodos de trabalho diários.

O valor da sesta é ainda maior se tivermos em conta a realidade evidenciada pela reportagem de Mafalda Gameiro, intitulada “Quando o sono não chega”, projetada recentemente na RTP e que revela como uma boa parte dos Portugueses tem um comportamento negligente em relação ao sono. Segundo Teresa Paiva, citada numa outra fonte, um terço dos portugueses dorme por noite muito menos horas do que seria desejável e até vital, o que inclui crianças e adolescentes. Este facto assume uma importância maior quando ficamos a saber que a privação de sono não significa aproveitar mais e melhor os nossos dias, pelo contrário, é responsável por um raciocínio mais lento e pelo aumento do risco de obesidade, hipertensão, diabetes, depressão e até cancro, como é referido na reportagem de Mafalda Gameiro.

A maior parte das pessoas adultas necessita de dormir entre sete a oito horas por dia, mas uma criança entre os dez e os doze anos deve dormir dez horas  e as mais pequenas, entre os três e os quatro anos, devem dormir entre doze a catorze horas por dia. As crianças nesta faixa etária que não obtenham este tempo de descanso são mais propensas a sofrer de irritabilidade, ansiedade e dificuldades de aprendizagem.

Se estes argumentos, baseados em factos médicos não chegam para o convencer de que é essencial reservar tempo para dormir o suficiente, então, pelo menos tente incluir na sua vida uma breve pausa diária para desfrutar dos prazeres de uma sesta. É certo que pode ser difícil instituir este hábito na maior parte dos locais de trabalho mas se vinte minutos bastam, porque não reservar esse tempo da sua hora de almoço e reclamar este direito que tanto fará por si a todos os níveis, mesmo a nível profissional.

Referencias: “Não se deve acordar antes das 6 da manhã”, in: www.kaminhos.com; “Associação dos Amigos da sesta foi hoje formalmente consttuída”, in: www.publico.pt; “Quando o sono não chega”, in: www.rtp.pt

Rita Rosado

Rita Rosado nasceu em 1974 no Barreiro apesar de viver actualmente numa aldeia do Concelho de Tomar com a sua família. Licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa em 1997, é membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugu (...)