Natal sem prendas!?

E se, de repente, alguém lhe oferecer…simplesmente, boa companhia e muitas gargalhadas neste natal?

Como acha que se sentiria se não tivesse que fazer listas de presentes, muitas contas ao dinheiro que vai gastar (que para muitas famílias é cada vez menos) e sobretudo se não tivesse que passar horas intermináveis em lojas, hipermercados e centros comerciais a comprar presentes? Parece-lhe uma solução radical?

Pois acredite que simplificaria e muito a sua vida e a sua saúde, já que está comprovado que a época natalícia é uma das fases do ano que mais ansiedade provoca à maioria das pessoas.

Mas vamos analisar esta questão com toda a simplicidade e bom senso, refletindo sobre o sentido desta quadra. No natal, a maior parte dos países onde existe uma cultura cristã, celebra o nascimento de Jesus Cristo e de certo modo, celebra a sua mensagem.

Ora, questionemos: onde, na mensagem cristã, está proposto o consumismo desenfreado e desprovido de sentido? Quanto muito falar-se-ia de partilha. Mas, então, não será mais do que suficiente a partilha do nosso tempo e disponibilidade com aqueles que amamos numa refeição confeccionada com afeto e dedicação? Já para não falar das vantagens para a nossa carteira e para o meio ambiente.

É desolador olhar para os caixotes do lixo após a noite de natal e ver as toneladas de embalagens, cartões, e outros materiais que são descartados, muitas vezes sem a preocupação de os separar para reciclagem. Para além disto, pensemos bem: quantas vezes, não fomos presenteados, ou presenteamos alguém, com mais um objecto perfeitamente supérfluo que nada acrescenta à vida daquela pessoa a não ser atravancar a sua casa e a sua vida.

Todos estes motivos estiveram na origem da iniciativa “Buy Nothing Christmas”, a qual surgiu oficialmente em 2001, como forma de protesto de um pequeno grupo de Protestantes Canadianos, contra os excessos consumistas da quadra natalícia.

O “Buy Nothing Christmas” apareceu como extensão da iniciativa “Buy nothing day”, fundada pelo artista Ted Dave em Vancouver e, posteriormente promovida pela revista Adbusters. O primeiro “Buy nothing day” foi organizado no Canadá em Setembro de 1992 e desde então este tem sido um movimento crescente, abraçado por muitos activistas sociais e ambientais e por muitos cidadãos preocupados com a perda de significado e de limites ao consumismo, com grande impacto para o nosso planeta e consequentemente, para a nossa saúde.

Mas tenhamos bom senso: travar o consumismo desenfreado não significa que não possa fazer sentido oferecer alguns presentes, caso sinta que esta medida é demasiado extrema. Mas, então, porque não comprar os seus presentes nas lojas do seu bairro ou da sua cidade? Ou porque não comprar produtos nacionais ou fazer os seus próprios presentes. Deste modo estaria na mesma a participar desta iniciativa, promovendo a economia local, com muito menos impacto para o ambiente e para o seu orçamento familiar.

E para aqueles que dirão que nesta época de crise estaremos a condenar a nossa economia por não comprar mais, proponho refletir sobre a frase de Fawzi Ibrahim: “Hoje, a humanidade enfrenta uma simples escolha: salvar o planeta e perder o capitalismo ou salvar o capitalismo e perder o planeta”. 

Então, pelo planeta, pela sua saúde e pela sua carteira, simplifique e experimente libertar-se da azáfama das compras. Terá um presente bem maior: a tranquilidade e disponibilidade para estar verdadeiramente na presença de quem ama e se fizer mesmo questão de oferecer algo, porque não…um abraço 🙂

[fonte]Fontes de informação:www.buynothingday.co.uk/;www.buynothingchristmas.org/;www.adbusters.org/campaigns/bnd[/fonte]

Rita Rosado

Rita Rosado nasceu em 1974 no Barreiro apesar de viver actualmente numa aldeia do Concelho de Tomar com a sua família. Licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa em 1997, é membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugu (...)