Saudável para chuchu!

chuchuQuantas vezes já ouviu a expressão «é bom para chuchu»? Provavelmente muitas vezes. Os brasileiros usam-na muito para qualificar algo de bom ou como substituição do advérbio de quantidade, muito.

E, agora vejamos, quantas vezes já comeu chuchu?

A avaliar pela minha experiência, a contagem deve ficar pelo 10: dez vezes que devo ter comido este legume de fruto, sobretudo devido a ofertas circunstanciais e duas viagens à região onde é abundante, a América Latina.

Talvez por coincidência ou não, na última semana, voltaram a oferecer-me 4 unidades da espécime verde-clara, depois, no mercado local onde vou ao sábado de manhã e na zona dos frescos no hipermercado deparei-me novamente com eles; por fim, no cabeleireiro, assisti a uma conversa onde houve partilha de receitas com chuchu e preferências na sua utilização.

Mas, na realidade, não foi uma coincidência: na verdade, esta é a altura de colheita do chuchu, portanto encontram-se mais disponíveis para consumo e em maior estado de frescura. O chuchu pode ter coloração verde-clara (como os que comi ontem!), verde-escura, branca ou creme.

Até que ponto podemos beneficiar em introduzir o chuchu na alimentação?

É mais uma opção a considerar para a lista de alimentos de origem vegetal a consumir, cuja presença deve ser maioritária em relação aos outros grupos alimentares. A variedade deve ser uma das regras básicas da alimentação saudável e, por sua vez, dá um pequeno contributo para a sustentabilidade agrícola e ambiental.

É quase nula a literatura científica sobre o chuchu ao nível da sua composição em fitoquímicos, apesar de ser um vegetal comum na alimentação nos países da América do Sul, na Austrália, China, India e sul de Itália.

Há referências em alguns estudos, não muito recentes, sobre os potenciais benefícios do consumo de chuchu: efeito diurético, anti-inflamatório e cardiovascular.

Enquanto se aguardam informações mais detalhadas sobre os possíveis efeitos do chuchu na saúde, podemos dirigir a atenção para a qualidade nutricional.

Incluir o chuchu nos estufados, nas sopas ou em saladas pode representar uma refeição mais nutritiva. O chuchu é muito rico em água e fibras (93,4 g e 2,8 g respetivamente por cada 100 g de fruto após cozedura), que se fazem acompanhar por apreciáveis quantidades em vitamina C e folatos (8 mg e 18 µg /100g), entre pequenas quantidades de diversos minerais e vitaminas.

A água e as fibras são indispensáveis na alimentação diária para o funcionamento normal do intestino. Estes dois nutrientes devem estar disponíveis em quantidades razoáveis para que o intestino desenvolva confortavelmente as suas múltiplas tarefas, refletindo-se através de um trânsito intestinal regular. É aqui que o chuchu pode dar uma ajuda.

E já conto com a minha 11ª experiência com o chuchu: estufado com camarões, muitos coentros e alguns dentes de alho.

Referências: USDA 2012. Composition of Foods Raw, Processed, Prepared USDA National Nutrient Database for Standard Reference, Release 25.In, Agricultural Research Service.; Siciliano T, De Tommasi N, Morelli I, Braca A. Study of flavonoids of Sechium edule (Jacq) Swartz (Cucurbitaceae) different edible organs by liquid chromatography photodiode array mass spectrometry. J Agric Food Chem. 2004 Oct 20;52(21):6510-5.; Ordonez AAL, Gomez JD, Vattuone MA, Isla MI 2006. Antioxidant activities of Sechium edule (Jacq.) Swartz extracts. Food Chemistry, 97(3): 452-458.

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional nº 0052N. Investigadora na Fundação para a Ciência e Tecnologia (2011-2015). Membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança – CIEC. Desenvolve a sua atividade na Investigação e na área da Nutrição Clínica. É autora e coordenadora de projectos de prevenção primária na área da saúde, bem como na organização e dinamização de seminários sobre hábitos alimentares saudáveis, predominantemente em ambiente escolar. Os seus atuais interesses de investigação, são no domínio da promoção e da comunicação para a saúde, na prevenção do cancro e de outras doenças crónicas. Responsável pela conceção e coordenação de campanhas para a prevenção do cancro. Trabalhou no Marketing Farmacêutico e especializou-se em Gestão e Comunicação da Marca (IPAM – 2003). Autora e fundadora do Stop Cancer Portugal, adotar um estilo de vida saudável. Usa o novo acordo ortográfico. Margarida Vieira, nutritionist, is PhD in Child Studies of the University of Minho. Member collaborator of the Research Centre for Child Studies - CIEC. 
She is author and coordinator of projects for primary prevention in health care as well as in the organization and promotion of workshops on healthy eating habits in the schools. Her current research interests are cancer prevention and other chronic diseases and health communication.
 Responsible for the design and coordination of the awareness of campaigns for the prevention of cancer. Worked in Pharmaceutical Marketing and specializes in Brand Management and Communication. Author and Founder of Stop Cancer Portugal Project.