Se tem tempo para respirar, tem tempo para meditar

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meditarNo blog: “Um caminho para a transformação da mente”, podemos ler, para além da frase de Ajahn Chah, a seguinte frase de Matthieu Richard: “O treino da mente é algo relevante, não é apenas um luxo ou uma vitamina para a alma. É algo que vai determinar a qualidade de cada momento da nossa vida. Contudo, passamos surpreendentemente pouco tempo a tomar conta do que realmente interessa… A forma como a nossa mente funciona.”

A forma como a nossa mente funciona determina em grande medida a forma como percepcionamos as nossas experiências, o que explica por que razão, perante as mesmas circunstâncias, alguns vêm o copo meio cheio e, outros, o copo meio vazio. Assim sendo, porque não começar por simplificar a sua vida, através do treino da sua mente?

A prática da meditação é entendida nas culturas orientais como o mais importante exercício de treino e clarificação da mente mas também na nossa cultura ocidental se tem vindo a descobrir os amplos benefícios desta prática milenar. Melhora a concentração, proporciona um relaxamento imediato, clarifica o pensamento e alguns estudos têm até demonstrado que activa áreas do cérebro responsáveis pelo sentimento de bem-estar e felicidade o que por sua vez melhora a capacidade do sistema imunitário fazer face às agressões a que o nosso corpo está sujeito.

Na nossa cultura o termo meditação é frequentemente utilizado para descrever o acto de pensar ou reflectir sobre um determinado assunto. Contudo, aqui referimo-nos ao acto de concentração da atenção em algo (num objecto exterior, na nossa respiração, num som, nos nossos movimentos, etc) tentando justamente que o pensamento não divague. A nossa mente costuma estar cheia de pensamentos que vão e vêm a grande velocidade. Os Tibetanos comparam este estado da mente a um cavalo selvagem e irrequieto. A prática da meditação permite-nos domar esse cavalo selvagem atingindo um estado de calma profundo.

Mas como, quando e onde meditar? Não é necessário um ambiente especial para meditar e nem sequer é necessário gastar dinheiro em artefactos habitualmente atribuídos a este género de práticas: como velas, incensos ou tapetes. Tão pouco é necessário ser budista, praticante de yoga ou ter qualquer espécie de crença filosófica ou religiosa. Basta encontrar um local solitário e tranquilo em casa, numa praia, num jardim ou até mesmo no carro ou no escritório. Onde quer que estejamos basta termos alguns minutos para meditar.

Habitualmente, vemos as pessoas que estão a meditar sentadas com as pernas cruzadas, uma em frente à outra mas também é possível meditar sentando-se apenas numa cadeira. O importante é ter a coluna vertebral e a cabeça direitas (para tal pode recolher o queixo ligeiramente para dentro). Os ombros devem estar puxados para trás e a língua deve repousar no céu da boca. Os olhos podem estar abertos ou fechados. Numa fase inicial os olhos fechados favorecem a concentração.

E para começar concentre-se na sua respiração. O objectivo é focar a atenção no vaivém respiratório mas sem alterar o seu ritmo natural e tentando não se distrair para conseguir estar presente, aqui e agora. Assim que estiver perfeitamente focado conte 7 respirações.

Poderá concentrar-se no ar a entrar e sair pelas suas narinas ou no abdómen a subir e a descer. É normal que o seu pensamento “voe” para pensamentos, sensações, percepções que nada têm a ver com a sua respiração mas quando isso acontecer não desista nem contrarie o que está a acontecer. Simplesmente volte a focar-se na sua respiração. Com o tempo irá conseguir prolongar a duração da concentração para 14, 21 ou mais respirações.

Então do que está à espera? Se tem tempo para respirar, tem tempo para meditar.

Rita Rosado

Sobre Rita Rosado

Rita Rosado licenciou-se em Psicologia Clínica pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (1997). Concluiu o Mestrado em Ciências da Educação – Formação de Adultos em 2007. Trabalha na área de Orientação Profissional e o seu interesse pela problemática da prevenção do cancro aprofundou-se após a experiência que vivenciou enquanto familiar de doentes de cancro.