Amoras: uma de cada vez.

amorasPara quem vive ou está de férias no sul de Portugal, onde as amoras silvestres abundam, é ainda nos dias de hoje uma tarefa absolutamente possível: à medida que vai colhendo as bagas pretas, maduras e sumarentas, pode ir comendo uma de cada vez.

Para quê complicar nas sobremesas se é possível ter tudo com umas dezenas de bagas?

Além das amoras silvestres que crescem de forma espontânea, há variedades cultivadas e que se encontram à venda juntamente com outras bagas, formando um trio delicioso: amoras, framboesas e mirtilos.

As amoras estão repletas de nutrientes. São uma fonte excelente de fibras solúveis (como a pectina), de vitaminas C e K e de manganésio, disponibilizando ainda boas quantidades de vitamina E, ácido fólico, cálcio e selénio.

Contudo, os seus benefícios para a saúde, ao que tudo indica, estão estreitamente relacionados com os altos níveis de compostos bioativos, os fitoquímicos.

As amoras, frescas (sim, é importante o aspeto da frescura!) são excecionalmente ricas em antocianidinas, apresentando ainda teores aceitáveis de quercetina e dois ácidos hidroxicinámicos, o ácido cafeico e o ácido ferulico.

Nas amoras, o grupo das antocianidinas está representado maioritariamente pela cianidina. Segundo a literatura científica, este fitoquímico exibe atividade anti-inflamatória, vaso-protetora e antidiabética, indicando-se ainda a cianidina como um potencial agente para o tratamento e prevenção do cancro e de outras doenças inflamatórias.

O possível mecanismo de ação da cianidina poderá passar pela interferência na transdução do sinal molecular em diferentes vias (AP-1, MAPK, NF-kB, a COX-2, TNF-α) e inibir o crescimento das células cancerígenas, sobretudo das células humanas gástricas, do cólon, da mama e do pulmão.

Comer algumas dezenas de amoras, simplesmente frescas ou misturadas em batido com iogurte, ou ainda acompanhadas por outros frutos como o pêssego e a maçã, são combinações perfeitas para “juntar pontos”, pontos estes a reverter em benefícios para a saúde.

Referencias: Murapa P, Dai J, Chung M, Mumper RJ, D’Orazio J. Anthocyanin-rich fractions of blackberry extracts reduce UV-induced free radicals and oxidative damage in keratinocytes. Phytother Res. 2012 Jan;26(1):106-12.; Camille S. Bowen-Forbes, Yanjun Zhang, Muraleedharan G. Nair, Anthocyanin content, antioxidant, anti-inflammatory and anticancer properties of blackberry and raspberry fruits, Journal of Food Composition and Analysis. 2010; 23(6:554-560.;Jakobek, L., Šeruga, M., Šeruga, B., Novak, I. and Medvidović-Kosanović, M. (2009), Phenolic compound composition and antioxidant activity of fruits of Rubus and Prunus species from Croatia. International Journal of Food Science & Technology, 44: 860–868.; Agricultural Research Service. Database for the flavonoid content of selected foods. USDA; 2011.;Jin Dai, Jigna D. Patel, and Russell J. Mumper. Journal of Medicinal Food. June 2007, 10(2): 258-265.

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)