Mãe! Bola, ali!

Bolas de Berlim

“Mãe! Bola, ali!” – dizia um dos miúdos do guarda-sol vizinho ao meu. Estavamos numa pequena praia do barlavento algarvio para onde vou, por esta altura, há mais de 20 anos.

O miúdo não se referia a uma simples bola, daquelas que nos fazem correr, saltar e pular para a apanhar. Todos os dias, a praia inteira esperava ansiosamente pelo homem das Bolas de Berlim. Nunca antes tinha visto nada assim na “minha” praia. Sabia-se logo onde parava o homem que as vendia porque, à sua volta, juntavam-se às 4 e 5 pessoas e, por vezes, mais.

Nos oito dias em que estive por lá, este ano, houve quem comesse religiosamente todos os dias uma Bola de Berlim. Isto é, em 8 dias devoraram 8 bolas. E se os dias de férias tiverem sido mais? Será que foram tantas bolas quantos os dias de férias?

Quem as comeu e cumpriu o ritual diário da Bola, sobrecarregou o corpo de açúcar, farinha e gordura. São estes os ingredientes das Bolas de Berlim, porque é disto que é feita a maioria dos bolos.

De acordo com a consulta da Tabela de Composição Nutricional da Faculdade de Motricidade Humana, comer uma só Bola de Berlim, com um peso médio de 88 gramas, significa ingerir 351 calorias e 19,3 gramas de gorduras, das saturadas, as responsáveis por elevar o colesterol.

Feitas as contas, só em “bolas” naqueles 8 dias, o saldo poderá ter atingido as 2800 calorias com 154 gramas de gordura a acompanhar. E isto sem contar com outros potenciais disparates associados, mas todos eles ilibados pela popular desculpa: oh! Deixa lá! Estou de férias!

Tiram-se férias para descansar da rotina e, afinal de contas, não se dá folga ao corpo. Em vez disso, dão-se bolas para o sistema digestivo tratar de arranjar e encontrar espaço para alojar mais uns quilos.

Confesso, também eu não resisti a prová-las, mas fiz uma média razoável: em oito dias de praia, comi uma bola. Foi bom, fiquei satisfeita e chegou para estas férias!

Todo este cenário fez-me pensar que, por outro lado, durante aqueles oito dias não ouvi: Mãe! Fruta agora!

As frutas também são doces, oferecem benefícios nutricionais, e em matéria de saúde põem qualquer bolo a um canto.

Fontes de Informação: http://sm.vectweb.pt/media/98/File/Recursos/Tabela_Composicao_Alimentar.pdf

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)