À procura do “lado negro” do chocolate

chocolateHá algum argumento melhor que uma “festa” para poder ter o prazer de comer chocolate? Então, a Páscoa é a ocasião especial! Encontra-se o chocolate em mais formatos, desde amêndoas, coelhinhos, até aos tradicionais ovos inteiramente fabricados de chocolate.

De 2000 para cá surgiram diversos trabalhos de investigação a relacionar o consumo do chocolate com benefícios reais para a saúde. Presume-se que esses efeitos positivos estão relacionados com o conteúdo elevado de diversas substâncias fitoquímicas.

O chocolate é feito de cacau, uma importante fonte dietética de duas importantes famílias de fitoquímicos: ácidos fenólicos e um alcalóide.

Os ácidos fenólicos que se encontram no cacau são a epicatequina, a catequina e as procianidinas, todos elas da classe dos flavonóides. Estes fitoquímicos podem proteger as células contra os danos oxidativos, limitando o risco das doenças associadas ao stress oxidativo, tais como as doenças cardiovasculares, a diabetes tipo 2 e o cancro.

Mas, a investigação adianta mais e mostra que estas substâncias apresentam propriedades adicionais e independentes da convencional actividade antioxidante. Há estudos a descrever ainda outros mecanismos que podem afectar o processo de carcinogénese. Estes flavonóides têm capacidade para inibir a síntese de DNA e retardar o ciclo celular, interferir directamente no processo de apoptose e na expressão de proteínas com função reguladora.

O alcalóide encontrado no cacau é a teobromina que dá ao chocolate o seu típico sabor amargo. Tem uma estrutura muito semelhante à da cafeína, mas tem um efeito mais fraco e não interfere com o sistema nervoso central. Com um triplo efeito, diurético, estimulante e vasodilatador, ainda pode contribuir para diminuir a pressão arterial.

Quanto mais cacau estiver presente no chocolate maior será a presença destes compostos benéficos. O mais rico e abundante é o chocolate negro mas, mesmo neste tipo, o teor de cacau oscila muito de marca para marca, com percentagens muito díspares. O melhor é conferir nas informações nutricionais da embalagem.

Escolha chocolate negro com percentagens iguais ou superiores a 70% de pasta de cacau. Dois quadrados deste chocolate, com mais ou menos 40 gramas, comporta cerca de 951 mg de flavonóides totais, uma dose interessante com dupla função: protecção e prazer. Com moderação, o chocolate preto tem a combinação perfeita.

Procure, sempre que possível, o lado negro do chocolate.

Boa Páscoa.

Referências Bibliográficas: Serafini M, Bugianesi R, Maiani G, Valtuena S, De Santis S, Crozier A. Plasma antioxidants from chocolate. Nature. 2008; 424(6952):1013.; Rein D, Lotito S, Holt RR, Keen CL, Schmitz HH, Fraga CG. Epicatechin in human plasma: in vivo determination and effect of chocolate consumption on plasma oxidation status. J Nutr. 2000;130:2109S-14S; D’Archivio M, Santangelo C, Scazzocchio B, Varì R, Filesi C, Masella R,Giovannini C. Modulatory effects of polyphenols on apoptosis induction: relevance for cancer prevention. Int J Mol Sci. 2008;9:213-28.; Cooper KA, Donovan JL, Waterhouse AL, Williamson G. Cocoa and health: a decade of research. Br J Nutr. 2008;99:1-11.

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)