Se podia viver sem fibra?!

Se podia viver sem fibra? Poder podia, mas não era a mesma coisa.

Talvez esta frase, adaptada de uma frase publicitária e retida na memória de muitos, possa ajudar na compreensão da verdadeira importância das fibras na alimentação diária e na promoção da saúde.

Todos reconhecemos que há muitos instrumentos ou utensílios que nos facilitam determinadas tarefas diárias e proporcionam conforto. E aí, confrontamo-nos  automaticamente com este pensamento: “já não posso viver sem isto!”, como insinua o famoso anúncio publicitário.

Sabia que o intestino grosso, um dos órgãos mais importantes do sistema digestivo, não pode viver sem fibras? Quer dizer, poder pode, mas não é a mesma coisa.

A importância da fibra para o intestino grosso

O intestino no corpo humano desempenha não uma mas múltiplas funções vitais. Sem as fibras alimentares, o funcionamento dos intestinos fica dificultado, digamos que é ineficiente e, com o arrastar dos anos, pode trazer uma catadupa de sintomas que alertam para as doenças. Conhece termos como: obstipação, hemorróidas, diverticulite? Pois é, são alguns exemplos de consequências da ingestão insuficiente de fibras na alimentação diária. Além disso, uma alimentação deficiente em fibras está actualmente associada ao aumento do risco do aparecimento de cancro do cólon, cancro da mama, obesidade e diabetes.

Sem fibras, o intestino não obtém o “conforto” e o equilíbrio que precisa para desenvolver com facilidade todas as suas tarefas. É mau para ele, é pior para nós ou, se quiser, para a sua saúde.

Sem um consumo de fibra na ordem dos 35 gramas, a dose diária recomendada, o seu intestino não é, de facto, a mesma coisa!

Existem dois tipos de fibra: as solúveis e as insolúveis e são ambas necessárias. Pode encontrá-las na maioria dos frutos e legumes que contêm simultaneamente esses dois tipos, mas são também boas fontes os cereais integrais, as sementes e as leguminosas. Já agora, não desperdice as fibras das cascas comestíveis dos frutos. Sempre que puder inclua-as na sua alimentação.

Referências:Marlett, J. A., McBurney, M. I., & Slavin, J. L. (2002). Position of the American Dietetic Association: health implications of dietary fiber. Journal of the American Dietetic Association, 102(7), 993-1000. 

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)