Viver isolado não compensa

Nas sociedades industrializadas, a quantidade e a qualidade das relações sociais estão a diminuir. Uma maior mobilidade social e um aumento de carga horária de trabalho, revelam a tendência para uma reduzida interacção entre avós, pais e filhos. Uma grande percentagem de pessoas a viver sozinhas e o acentuar de doenças crónicas contribuem para o fenómeno: isolamento. Apesar do aumento da tecnologia e da globalização que, presumivelmente, poderia fomentar mais relações sociais, cada vez mais, as pessoas vivem de forma isolada.

Um estudo realizado com 308. 849 indivíduos, com um seguimento de 7 anos e meio, demonstrou que os sujeitos com relações sociais adequadas têm uma probabilidade maior de sobrevivência de 50% em comparação com aqueles que possuem fracas relações sociais ou insuficientes. A magnitude deste efeito é comparado com o parar de fumar e ultrapassa vários factores de risco de mortalidade conhecidos, como a obesidade e a inactividade física.

Os profissionais de saúde, os educadores e os meios de comunicação, quando falam de factores de risco, como o tabagismo, a dieta e o exercício físico, deveriam passar a incluir, também, os relacionamentos sociais. Para além, dos exames de rotina e das avaliações médicas, deveria proceder-se à avaliação do bem-estar social. Deveria ser fomentado nas redes de apoio a doentes a implementação de planos de tratamento em que se promovesse o aumento das relações interpessoais com maior qualidade.

O Homem é um ser social. Os factores sociais influenciam a saúde, quer a nível cognitivo, afectivo e comportamental. As intervenções sociais com base nos relacionamentos representam uma importante oportunidade para melhorar não só a qualidade de vida de doentes com cancro, mas também a sua sobrevivência.

André Louro

André Louro nascido no Porto, em 1981. Especializado na área da psicologia da saúde. Doutorando pela Universidade Autónoma de Barcelona. Tem interesse pelo estudo do comportamento humano, especialmente nas áreas das emoções positivas, nas estratégias para lidar com a doença e na qualidade d (...)