Melancia: talhada para hidratar!

Já comeu melancia este ano? A melancia está, neste momento, no seu ponto óptimo.

Agradavelmente hidratante, é constituída sobretudo por água, 92 por cento, e açúcares naturais, o que faz desta fruta uma fonte ideal de energias instantâneas, ajudando assim a evitar a fadiga após um dia de trabalho com muito calor.

Com apenas 30 calorias por 100 gramas, o seu principal mineral é o potássio e contém também vitamina C e vitamina A, esta sob a forma de licopeno e de betacaroteno.

O licopeno é geralmente conhecido pela sua acção protectora contra o cancro da próstata e, por norma, é associado ao consumo de tomate, onde se encontra quantidades generosas deste pigmento vermelho. De facto, o licopeno é o carotenóide mais abundante no tomate com concentrações que podem ir de 0,9 a 4,2 mg por 100 gramas, estando dependentes da variedade do tomate. Este fitoquímico também se encontra na papaia, nas uvas vermelhas, na goiaba e, claro, na melancia, mas nesta, a concentração de licopeno excede a de qualquer espécie de tomate, atingindo cerca de 4,5 mg por 100 gramas.

Diversos estudos epidemiológicos têm demonstrado haver uma correlação positiva, forte, entre uma alimentação rica em alimentos que contenham licopeno e a protecção contra o cancro da próstata, estômago, pulmão, cólon e pele. No entanto, a maioria dos estudos clínicos nos humanos não são conclusivos.

Além da sua potente actividade antioxidante, foram já identificadas no licopeno outras actividades benéficas: o licopeno pode regular e estimular a produção de enzimas celulares, como a superóxido dismutase, a glutationa S-transferase e a quinona redutase, que protegem as células do dano oxidativo e de espécies muito reactivas de oxigénio (as singlet) e outras moléculas eletrofílicas; também pode induzir não só a apoptose em células cancerosas, como pode inibir a proliferação destas células, pela sua capacidade de retardar o ciclo celular.

O tomate e a melancia são dois alimentos que a natureza nos “serve à mesa” quando o tempo aquece, mas se o tomate é um alimento que pode ser conservado e depois comido ao longo do ano, a melancia não. Por isto tudo,  esta é a altura ideal para extrair o bom que a melancia tem numa talhada acabada de cortar. Ou melhor, na refeição do almoço pode sempre conciliar os dois: o tomate no início, na sopa ou na salada, e a melancia no final. Um verdadeiro manjar, de licopeno!

Margarida Vieira

Margarida Vieira, nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição (FCNAUP-1991), mestre em Nutrição Clínica (ISCSEM-2008). Doutorada em Estudos da Criança, na especialidade de saúde infantil pela Universidade do Minho. Membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas com a cédula profissional n (...)