Exercício físico? Mas estou em tratamento…

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Durante a fase do tratamento, vários doentes oncológicos alteram o seu padrão de actividade física, quer durante o internamento, quer no domicílio. Provavelmente, esta alteração pode dever-se à crença de que o doente oncológico necessita de muito repouso, transmitida por outros doentes e alguns profissionais de saúde.

Actualmente, existe consenso de que o exercício físico ajuda a controlar alguns efeitos secundários dos tratamentos, nomeadamente a fadiga oncológica. A fadiga oncológica é a sensação de cansaço, de exaustão física e mental, que não é devida à actividade física intensa. Para além disso, esta sensação não diminui com o repouso. Todos nós já tivemos a sensação de fadiga após um longo dia de trabalho ou após uma corrida. É essa  sensação que o doente oncológico pode experienciar, devido à própria doença e ao seu tratamento.

Se a necessidade de realizar exercício físico é consensual, já o tipo de exercício e a sua duração estão ainda em fase de estudo.

No entanto mantêm-se as recomendações gerais: duas horas e meia por semana de exercícios adequados às capacidades de cada doente. Alguns doentes estarão mais aptos para exercícios mais intensos, como a natação e a corrida, outros optarão pelas caminhadas com amigos ou passear o cão.

Se não fazia exercícios e pretende iniciar com alguns mais intensos, aconselhe-se primeiro com o seu médico oncologista. Por outro lado, se se inscrever num ginásio, não se esqueça de transmitir ao monitor todos os seus problemas de saúde, bem como as indicações fornecidas pelo seu médico.

Para além da melhoria da sensação de fadiga e a consequente melhoria na qualidade de vida, o exercício físico combate a substituição da massa muscular por gordura. Esta substituição ocorre durante o processo normal de envelhecimento. Contudo, num estudo com um grupo de mulheres com cancro da mama que realizaram quimioterapia, este processo foi acelerado: em apenas um ano, a substituição de massa muscular por gordura foi a equivalente à que ocorre em 10 anos de envelhecimento normal; ou seja, uma mulher de 45 anos teria a massa muscular e a gordura de uma de 55.

Outro benefício concedido pelo exercício é a diminuição do risco de doenças cardiovasculares, como o AVC (acidente vascular cerebral), enfarte, hipertensão arterial. Com a evolução dos tratamentos, os doentes oncológicos sobrevivem com melhor qualidade de vida e durante mais tempo.

Perante todas estas evidências podemos afirmar: seja o mais activo que conseguir!

Referências bibliografias: NCCN Clinical Practice Guidelines In Oncology: Cancer-related fatigue, 2010; http://www.msnbc.msn.com/id/37978604/ns/health-cancer/

Miguel Oliveira

Sobre Miguel Oliveira

Miguel Oliveira é licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian – Universidade do Minho (2007). Pós-Graduado em Neuropsicologia de Intervenção pelo CRIAP/Associação Portuguesa de Neuropsicologia (2010). Atualmente exerce a profissão no Reino Unido.