Combater o Cancro com os Músculos

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O exercício é uma actividade benéfica para o indivíduo.

Para além das vantagens que lhe são desde logo associadas – manutenção de peso e interacção social – uma actividade física regular pode ter um papel fulcral na prevenção do cancro e outras doenças crónicas.

Vários estudos, nomeadamente alguns realizados entre 1998 e 2002, nos Estados Unidos da América, apontam que o exercício físico pode ter um papel influenciador na redução do aparecimento do cancro, em especial no cancro da mama e cólon. Esta relação causal prende-se com a influência do exercício no sistema imunitário, onde a sua acção consegue promover a estimulação da interleucina e das células “killer” (um tipo de linfócito), essenciais na destruição das células “anormais”. No caso específico do cancro da mama, os investigadores identificaram que o exercício promove o equilíbrio do sistema hormonal, em particular ao nível do estrógeneo, que está relacionado com a proliferação de alguns tipos de cancro da mama, reduzindo assim o risco de aparecimento deste cancro. Em relação ao cancro do cólon, a influência preventiva da actividade física está relacionada com o controlo de factores de risco como são o excesso de peso e maus hábitos alimentares. Uma vez que a prática do exercício deve ser acompanhada por uma alimentação variada e equilibrada, a conjugação dos dois factores torna a musculatura intestinal mais activa, por norma consegue-se uma regularização do padrão intestinal e uma melhor eliminação de elementos nocivos ao corpo humano.

O valor do exercício parece ser tal que algumas instituições como o National Cancer Institute (NCI), criaram grupos de estudos para aprofundar esta temática. Com o desenvolvimento desses estudos, poderemos conseguir quantificar a influência que a prática regular de uma actividade física pode ter sobre o aparecimento do cancro, ou desenvolvimento para estádios mais graves de cancro. Até obtermos provas, e atendendo a todos os outros efeitos benéficos que uma actividade física tem sobre outras doenças crónicas, como a diabetes ou hipertensão, não será difícil imaginar que um dos tijolos do “muro” da prevenção assente sobre os nossos músculos.

Referências bibliográficas consultadas:
Division of Preventive Medicine, Department of Medicine, Brigham and Women’s Hospital and Harvard Medical School, Boston, MA; and Department of Epidemiology, Harvard School of Public Health, Boston, MA; Physical Activity and Cancer Prevention – Data from Epidemiologic Studies, in http://www.ux1.eiu.edu/~cfje/5230/Cancer-Lee-03.pdf
Friedenreich CM, Orenstein MR, from the Division of Epidemiology, Prevention and Screening, Alberta Cancer Board, Physical activity and cancer prevention: etiologic evidence and biological mechanisms, Journal of Nutricion, 2002;132:3456S-3464S.
Kruk J., Aboul-Enein HY, from the Institute of Physical Education, Faculty of Natural Sciences, University of Szczecin, Physical Activity in the prevention of cancer, Asian 2006; 7:11-21.

Mónica Castro

Sobre Mónica Castro

Mónica Castro é enfermeira pela Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes. Desde 2012 exerce funções num serviço de internamento que engloba Oncologia, Hematologia e Transplantes, no Reino Unido.