Sobreviventes

Ao longo das últimas décadas, a melhoria no diagnóstico e tratamento do cancro fez com que o número de pessoas que sobrevivem ao cancro aumentasse de uma forma significativa.

O cancro, tal como outras doenças graves, deixaram de ser uma sentença de morte. Mas esse desenvolvimento positivo trouxe novos desafios, novos problemas que até aqui não se colocavam. Uma vez ultrapassados os aspectos médicos da própria doença, o que acontece depois? Os pacientes podem simplesmente pegar nos pedaços da sua vida antes do cancro e continuar como se nada tivesse acontecido? As evidências sugerem que não.

Uma pesquisa recente sobre os sobreviventes de cancro feita pela Fundação Lance Armstrong mostrou que metade dos sobreviventes ainda apresentava necessidades por satisfazer. Os doentes relataram que os aspectos não médicos do cancro, como a depressão, o medo de reincidência, os efeitos colaterais do tratamento e os efeitos secundários da doença (dor crónica, infertilidade e disfunção sexual), as preocupações financeiras e os problemas de emprego, se tornavam por si só grandes desafios. Os sobreviventes referiram também que não tinham recursos para satisfazer as suas necessidades psico-emocionais e sociais.

Dados os aspectos aqui referidos, considero importante que os profissionais de saúde e as associações de apoio ao doente estejam atentos a esta realidade para que possam dar o seu contributo para a melhoria da qualidade de vida dos sobreviventes.

André Louro

Doutorado pela Universidade Autónoma de Barcelona. Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e com especialidade avançada em Psicologia Comunitária pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Vários artigos publicados na área de Psico-oncologia. Tem interesse pelo estudo do comportamento huma (...)