Usar os Sentidos

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Sou muitas vezes solicitada a orientar pacientes ou até mesmo familiares de pacientes sobre como e quando realizar exames médicos para a detecção precoce dos diferentes tipos de cancro.

Actualmente, esta é uma preocupação de um grupo de população, ainda pequeno, apesar do esforço dos profissionais de saúde, grupos e associações, cujo objectivo principal é o combate ao cancro.

O nosso organismo tem mecanismos que actuam quando alguma coisa não está funcionar bem. Estas reacções de defesa funcionam como se de um autêntico sistema de alarme se tratasse: são os sinais e os sintomas que funcionam como um alerta. Exigem do organismo atenção, para que se possa “ouvir” e sentir o corpo. Para os saber “ler“, basta recorrer à utilização dos nossos sentidos, que são um dos grandes responsáveis por transmitir ao cérebro uma série de informações importantes.

Vamos fazer um exercício com base em alguns dos nossos sentidos: visão, audição, tacto, e paladar. Todos podem detectar sinais de alerta, para prevenir alguns tipos de cancro.

Com a visão podemos verificar o aparecimento de um sinal novo na pele, ou alteração num sinal já existente, assim como podemos confirmar na balança uma perda de peso ou até mesmo um aumento, sem motivo aparente.

Também podemos despistar se está tudo bem com o nosso intestino ou com a nossa bexiga, como, por exemplo, verificar se há perdas de sangue com as fezes ou na urina. E não é através da visão que também controlamos uma ferida que persiste e não cicatriza, apesar dos tratamentos ou detectamos uma hemorragia (sangramento) ou qualquer secreção anormal?

A audição, sensível a todos os ruídos estranhos que possam perturbar o dia-a-dia, facilmente detecta aquela rouquidão ou tosse que não desaparece.

O tacto pode despertar a nossa atenção para um espessamento, massa ou “uma elevação” na mama, ou em qualquer outra parte do corpo.

O paladar, habitualmente conotado com prazeres gustativos, pode-nos alertar para a diminuição desses momentos, quando nos apercebemos que já não saboreamos os alimentos da mesma forma e isto pode significar que há uma doença por trás ou uma alteração funcional a nível da cavidade oral.

Para além da situação de alerta que estes sentidos nos possam dar, há outras situações que acontecem e que devem também ser entendidos como sinais de alerta: são outros sintomas que nos indicam que pode estar a desenvolver-se uma situação anormal no nosso organismo, como é o caso da sensação de desconforto no fim de comer ou a sensação de fraqueza ou extremo cansaço sem razão aparente. É claro que estes alertas por si só podem não ser suficientes para prevenir todas as situações, mas certamente que podem ajudar a prevenir, para mais tarde não ter que remediar.

Mónica Castro

Sobre Mónica Castro

Mónica Castro é enfermeira pela Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes. Desde 2012 exerce funções num serviço de internamento que engloba Oncologia, Hematologia e Transplantes, no Reino Unido.