Nunca Há Tempo

Tempo

Nunca há tempo para se ter tempo para sermos nós
É tudo demasiado fugaz
São apenas momentos de lágrimas
Que nos caem pela pele branca
E se aninham finalmente nos nossos finais de dia.

O dia hoje acabou mais cedo
Acaba sempre quando a Primavera
se esquece de o provar.
De lhe sentir o trago.

E nós nunca temos tempo
O relógio da sala é demasiado célere
no seu aprisionar das horas
E eu ouço-o tocar todas as badaladas à uma.

Assim é mais rápido e mais eficaz
diz-me ele, como para se desculpar,
e continua o compasso de espera,
de espera pela palavra
que ainda não expeliste…

E eu pensei que seria hoje finalmente.

Enganaste-me de novo.

Nunca há tempo, dizes tu
E calças as luvas,
aquelas luvas negras que te ofereci naquela
madrugada em que me trincaste os dedos.

Afastas-te de novo.

Eu sei que voltas, grito-te eu
Desesperada pela palavra que me negas
O sentimento que me escondes,
As portas em ti que me fechas.

E tu murmuras…
Volto sempre, amor.
Volto sempre quando julgas que poderás
Repousar nos ponteiros do relógio da sala.

Autor Desconhecido

Mónica Castro

Mónica Castro, Enfermeira, Bacharel desde 1996, pela Escola Superior de Enfermagem de São João e Licenciada desde 2004 pela Escola Superior de Enfermagem D. Ana Guedes. A exercer funções de enfermagem desde 1996 até 2012 num serviço de internamento Medicina Oncológica/Quimioterapia em Por (...)